Crianças passam quase um quinto das compras no supermercado a olhar para alimentos pouco saudáveis, revela estudo

A investigação, publicada numa revista científica, recorreu a óculos com tecnologia de rastreamento ocular (eye tracking) para acompanhar, em tempo real, o comportamento visual das crianças durante compras em supermercados.

Redação

As crianças passam cerca de 17% do tempo que permanecem num supermercado a olhar para alimentos e bebidas expostos em locais de maior destaque, como entradas, pontas de corredores e zonas de caixas. E, desse tempo, 99% da atenção visual é dirigida a produtos pouco saudáveis, conclui um novo estudo realizado na Austrália.

A investigação, publicada numa revista científica, recorreu a óculos com tecnologia de rastreamento ocular (eye tracking) para acompanhar, em tempo real, o comportamento visual das crianças durante compras em supermercados.

Segundo os autores, trata-se do primeiro estudo a demonstrar, em condições reais, o grau de exposição e de atenção que as crianças dedicam aos alimentos e bebidas colocados em locais estratégicos das lojas.

Os investigadores verificaram que os produtos posicionados à entrada dos supermercados, nas extremidades dos corredores e junto às caixas registadoras captam uma parte significativa da atenção das crianças. No entanto, praticamente toda essa atenção recai sobre alimentos e bebidas com baixo valor nutricional, como doces, chocolates, refrigerantes e outros produtos ultraprocessados.

Os autores consideram que estes resultados reforçam o impacto das estratégias de marketing utilizadas no retalho alimentar, sobretudo junto dos consumidores mais jovens, que são particularmente suscetíveis aos estímulos visuais.

Segundo a equipa de investigação, limitar a exposição privilegiada de alimentos pouco saudáveis poderá reduzir de forma significativa o contacto das crianças com este tipo de publicidade no ponto de venda.

Os investigadores defendem que políticas que restrinjam a colocação destes produtos em locais de grande visibilidade podem contribuir para promover escolhas alimentares mais saudáveis, complementando outras medidas de saúde pública destinadas a combater a obesidade infantil e a melhorar os hábitos alimentares das famílias.

Embora o estudo tenha sido realizado na Austrália, os autores consideram que os resultados poderão ser relevantes para outros países, uma vez que a organização dos supermercados e as estratégias de promoção alimentar apresentam características semelhantes em muitos mercados.

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