O crime organizado já se tornou num dos maiores obstáculos à preservação da Amazónia, a maior floresta tropical húmida do mundo, denuncia relatório.
De acordo com a organização International Crisis Group, as organizações criminosas estão a espalhar-se pela bacia do rio Amazonas, criando redes intricadas, infiltrando-se em instituições públicas, empresas e comunidades, com os governos nacionais a terem dificuldade em colaborar uns com os outros para aplacar a ameaça e com as comunidades locais muitas vezes a suportarem os grandes custos da proliferação da criminalidade numa das regiões mais biodiversas do planeta.
A análise aponta que o tráfico de droga e a exploração ilegal de ouro estão a aumentar os níveis de violência na Amazónia e a causar “danos ambientais irreversíveis em territórios povoados sobretudo por comunidades indígenas”.
“Combater ameaças criminosas é fundamental para evitar a destruição da floresta húmida, um ecossistema vital para a mitigação global das alterações climáticas e para reduzir, e para reduzir os danos causados aos seus habitantes”, aponta a International Crisis Group.
Os especialistas sugerem que os governos e as comunidades indígenas da Amazónia devem unir-se para resistir à expansão da criminalidade organizada, combinando conhecimento local com a aplicação efetiva da lei.
“Os Estados da Amazónia deveriam melhorar a cooperação transfronteiriça e harmonizar as suas leis ambientais, enquanto os compradores internacionais de ouro e de matérias-primas deveriam assegurar que as suas cadeias de abastecimento estão livres de produtos gerados pelo crime”, salienta a organização não-governamental.
O relatório avança que os grupos criminosos exploram as fragilidades de governação na Amazónia, abrindo caminho pela floresta protegida, onde instalam novas rotas de tráfico e locais de exploração ilegal de ouro, “deixando uma profunda e, por vezes, irreparável marca no ambiente”.
Aludindo à dificuldade que os nove países com territórios na Amazónia têm para cooperar de forma eficaz para gerir devidamente a floresta e combater o crime, os autores do relatório indicam que “o que antes era sobretudo um desafio de conservação é agora uma crise de governação e segurança, fazendo com que seja muito mais difícil o Estados honrarem os seus planos para protegerem o ambiente”.
Os principais motores desta “crise” são económicos, explicam. Mudanças nos padrões de consumo de drogas combinadas com uma procura crescente por ouro e outros minerais converteram a Amazónia num “terreno altamente lucrativo”.
Recordando que a América Latina tem uma das taxas de homicídios mais altas do mundo, uma média de 20 por cada 100.000 habitantes, os especialistas dizem que algumas áreas da Amazónia excedem esse valor. E os povos indígenas, comunidades afrodescendentes, agricultores de subsistência e defensores ambientais representam uma porção significativa dessas mortes.
“Por enquanto, os grupos criminosos estão a agir muito mais rapidamente o que as autoridades nas vastas extensões da Amazónia. É vital uma maior coordenação entre os diversos atores que partilham autoridade na selva – Estados, forças de segurança, comunidade e o setor privado – para impedir que o crime organizado acelere o desastre ecológico e social”, pedem os relatores.









