“Da Terra à Boca da Boca ao Coração”: Projeto artístico de ação climática e inclusão expande-se em Aveiro

Promovido pela 4iS inovação Social, em articulação com a CERCIAV (Cooperativa para a Educação, Reabilitação, Capacitação e Inclusão de Aveiro) e o Colectivo Warehouse, teve uma primeira fase piloto em 2025.

Redação

O projeto “Da Terra à Boca da Boca ao Coração”, que promove a participação de pessoas com deficiências ou incapacidades na ação climática através da criação artística, entra numa nova fase de desenvolvimento na região de Aveiro.

Promovido pela 4iS inovação Social, em articulação com a CERCIAV (Cooperativa para a Educação, Reabilitação, Capacitação e Inclusão de Aveiro) e o Colectivo Warehouse, teve uma primeira fase piloto em 2025.

Agora, dizem as entidades promotoras em comunicado, a iniciativa expande-se a novas instituições parceiras da região de Aveiro, incluindo a CERCIMIRA (Cooperativa para a Educação e Reabilitação de Cidadãos de Mira), a CERCIAG (Cooperativa de Educação e Reabilitação de Cidadãos com Incapacidades de Águeda,) e o CASCI (Centro de Acção Social do Concelho de Ílhavo), integrando cerca de 80 participantes diretos.

Um dos primeiros momentos desta nova etapa acontece a 10 de abril, informa a 4iS inovação Social, com o arranque dos Laboratórios Climáticos de Criação Artística, que terão lugar na Casa da Comunidade Sustentável, em Aveiro.

As sessões decorrerão semanalmente, reunindo participantes de várias instituições parceiras. Explica a associação aveirense que, “através de metodologias artísticas e sensoriais, estes Laboratórios pretendem tornar mais acessível a linguagem em torno das alterações climáticas e promover a participação ativa de pessoas com deficiências ou incapacidades na literacia e na ação climática”.

O trabalho desenvolvido abordará temas como território, alimentação, saúde, adaptação e mitigação climáticas, cruzando conhecimentos científicos e processos coletivos de criação.

“Acreditamos que a ação climática só faz sentido se for inclusiva. Este projeto pretende criar espaços de encontro, de ativação, de reflexão e de co-criação, para a construção de respostas coletivas e integradoras, para os desafios do território”, considera a 4iS inovação Social.

Inserido na região da Ria de Aveiro, um território particularmente vulnerável aos impactos das alterações climáticas, o projeto propõe “um diálogo entre arte, ciência, agricultura, gastronomia e comunidade, afirmando o papel da criação artística participativa como ferramenta de inclusão e cidadania ativa”.

Para além dos Laboratórios Climáticos de Criação Artística, dinamizados pela companhia Teatro em Caixa, o projeto integra outras linhas de cocriação entre pessoas com deficiências ou incapacidades e artistas ou criativos.

A 4iS inovação Social destaca a co-construção do objeto-manifesto “Horta à Prova de Água”, desenvolvido com o Colectivo Warehouse a partir de metodologias de design e arquitetura participativa, e que será apresentado em junho de 2026.

O processo parte da identificação coletiva de desafios climáticos no território, salienta a associação, e “evolui através de dinâmicas colaborativas de ideação, prototipagem e construção, promovendo a partilha de saberes e a definição conjunta de soluções que articulam dimensões simbólicas e funcionais de sustentabilidade e resiliência ambiental”.

Em paralelo, o projeto desenvolve a co-criação do espetáculo “Da Terra à Boca da Boca ao Coração”, com orientação dos artistas performativos Patrick Murys e Pepa Macua.

“Assente num processo que valoriza o encontro, a escuta e a construção de relações, o trabalho parte das experiências, ritmos e singularidades de cada participante, permitindo que cada um contribua ativamente para a construção da criação”, aponta a 4iS inovação Social. E acrescenta que, “com estreia prevista para novembro de 2026, este espetáculo de artes performativas explora a forma como pessoas com deficiências ou incapacidades vivem e se relacionam com a ação climática”.

Iniciado no ano passado e, segundo a associação, “com continuidade assegurada até 2027”, é financiado pelos programas “Partis & Art for Change”, uma iniciativa da Fundação Calouste Gulbenkian e Fundação “la Caixa”, e “Centro 2030 – Inclusão pela Cultura” da CCDR Centro.

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