“A recuperação do lince-ibérico é uma das maiores histórias de sucesso da conservação da natureza na Europa”, diz a ministra do Ambiente e Energia, em comunicado para assinalar o Dia Mundial do Ambiente, que se celebra esta sexta-feira.
Maria da Graça Carvalho afirma que “estes resultados demonstram que é possível inverter processos de perda de biodiversidade quando existe conhecimento científico, compromisso político, cooperação internacional e envolvimento das comunidades locais”.
Recordando dados do censo ibérico, o ministério aponta que a população de lince-ibérico atingiu os 2.663 exemplares, o valor mais elevado desde o início da monitorização coordenada entre Portugal e Espanha. Em território nacional foram registados 394 animais, dos quais 265 adultos ou subadultos e 129 crias nascidas durante este ano.
Para o ministério do Ambiente, os resultados confirmam “uma trajetória de crescimento consistente e sustentado”.
“Em apenas quatro anos, a população ibérica aumentou 95%, passando de 1.365 exemplares em 2021 para 2.663 em 2025”, diz a tutela, lembrando que em 2002 existiam menos de 100 linces-ibéricos na Natureza, pelo que descreve a situação atual como fruto de “uma recuperação sem precedentes de uma espécie que esteve à beira da extinção”.
O censo de 2025 registou ainda 542 fêmeas reprodutoras, mais 72 do que no ano anterior, e 952 crias nascidas, indicadores fundamentais para assegurar a viabilidade futura da espécie. A presença do lince foi confirmada em 26 áreas geográficas distintas da Península Ibérica, com reprodução em 18 desses núcleos.
“Num Dia Mundial do Ambiente dedicado à proteção do nosso património natural, estes números mostram que Portugal está a contribuir ativamente para a recuperação de espécies ameaçadas e para a construção de ecossistemas mais resilientes para as futuras gerações”, acrescenta a ministra Maria da Graça Carvalho.
Numa altura em que a decisão de afastar a equipa que gere o Centro Nacional de Reprodução do Lince-Ibérico (CNRLI), em Silves, para passar a ser gerido diretamente pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), ter sido alvo de críticas, o ministério do Ambiente e Energia diz que “o sucesso alcançado resulta de mais de duas décadas de trabalho conjunto entre administrações públicas, centros de reprodução, proprietários e gestores do território, organizações científicas e associações de conservação da natureza”.
Recorde-se que, recentemente, o ICNF informou que a equipa que gere o CNRLI vai manter-se em funções mais 14 meses para assegurar que a transição não prejudica os linces.
“Apesar dos progressos alcançados, persistem desafios importantes, como a redução da mortalidade por atropelamento e o reforço da conectividade ecológica entre habitats, essenciais para consolidar a recuperação da espécie e garantir a sua conservação a longo prazo”, sublinha o ministério.
E acrescenta que “neste Dia Mundial do Ambiente, o Ministério do Ambiente e Energia e o seu congénere espanhol, Ministério para a Transição Ecológica e o Desafio Demográfico (MITECO), reafirmam o compromisso de continuar a proteger a biodiversidade, restaurar os ecossistemas e promover políticas de conservação capazes de produzir resultados concretos para a natureza e para as pessoas”.









