A defesa do Canadá e Ártico está em nova era, disse a chefe do Estado-maior canadiano, em declarações à AFP, que evoca um “momento charneira”, constatando que “a geografia” deixou de proteger o país “tão bem como no passado”.
Com fronteiras com um único vizinho, que sempre considerou um aliado, dois oceanos e o Ártico, o Canadá construiu-se sem receio quanto à sua segurança territorial.
Mas a rutura climática global e o derretimento dos gelos que tornam as terras do norte mais acessíveis e desejadas, bem como a subida das tensões com os EUA, alteraram a situação.
Neste contexto, as forças armadas canadianas estão obrigadas a “transformarem-se” profundamente, avançou Jennie Carignan.
Designada chefe das forças armadas canadianas em julho de 2024, é a primeira mulher neste cargo em um país do Grupo dos Sete (G7).
Evocando a rutura climática global, que torna o Ártico e, portanto, o norte do Canadá mais acessível, considera crucial que o país se “posicione de forma diferente” hoje, para “garantir que tem o controlo e assume as responsabilidades pela defesa” desse território.
“Há uma modernização das nossas infraestruturas, o pré-posicionamento de material e equipamento (…) e cada vez mais exercícios e operações militares” no norte.
A aquecer três a quatro vezes mais depressa do que o conjunto do planeta, o Ártico suscita cada vez mais cobiça, com o derretimento dos gelos marinhos a permitir um acesso acrescido a recursos, como hidrocarbonetos, minerais ou peixe, e a abertura de vias marítimas.
De forma mais geral, com um ambiente mundial que “mudou enormemente nos últimos anos”, as forças armadas canadianas estão obrigadas a modernizar-se.
Evolução esta que marca uma rutura com as três últimas décadas, dominadas por missões expedicionárias dirigidas, como no Afeganistão.
Mas agora, as forças canadianas devem preparar-se para conflitos “de maior envergadura”, para o que precisam de equipamentos e estruturas adaptadas às operações convencionais entre exércitos, estimou.
Ao mesmo tempo, Otava procura reequilibrar as suas fileiras de aprovisionamento para romper a dependência face aos EUA, e criou uma agência dedicada aos investimentos de defesa para reforçar a sua base industrial nacional.
Esta transformação inscreve-se num esforço orçamental acrescido. Jennie Carignan felicita-se que as despesas militares representem agora dois por cento do produto interno bruto, atingindo a meta da NATO. Mas sublinha que os “investimentos apoiados e estáveis nos próximos 10-15 anos” são necessários para concretizar os esforços de transformação e modernização.
Com a sua nova estratégia industrial de defesa, o Canadá prevê investir 500 mil milhões de dólares na defesa durante os próximos dez anos.









