Degelo do Ártico desacelera nos últimos 20 anos. Mas não durará para sempre, avisam cientistas

Desde setembro de 2005 que não se tem registado no Ártico um declínio “estatisticamente significante” do gelo marinho. Durante as últimas duas décadas, o degelo no pólo Norte do planeta tem sido menos célere do que se esperava, dado o avanço das alterações climáticas.

Redação

Desde setembro de 2005 que não se tem registado no Ártico um declínio “estatisticamente significante” do gelo marinho, dizem cientistas. Durante as últimas duas décadas, o degelo no pólo Norte do planeta tem sido menos célere do que se esperava, dado o avanço das alterações climáticas.

A conclusão é de um estudo publicado este mês na revista ‘Geophysical Research Letters’, no qual quatro investigadores dos Estados Unidos da América e do Reino Unido revelam tratar-se de um fenómeno de “variação climática natural”, que tem contrabalançado a perda de gelo marinho causada pelas atividades humanas.

Com base na análise de dados sobre o gelo marinho no Ártico recolhidos por satélite desde 1979 até ao presente, o grupo percebeu que, em setembro, quando a cobertura gelada atinge tipicamente o seu nível mínimo, registou-se uma perda de gelo de entre 0,35 e 0,29 milhões de quilómetros quadrados por década entre 2005 e 2024.

Ampliando a escala temporal, entre 1979 e 2024 essa perda situou-se entre os 0,78 e 0,79 milhões de quilómetros quadrados por década, pelo que, contas feitas, calculam que na última década tenha ocorrido uma redução de 55% a 63% da velocidade de perda de gelo marinho no Ártico.

Essa desaceleração do ritmo de perda de gelo, dizem os cientistas, foi também visível em cada mês do ano entre 2005 e 2024, tanto durante o verão como durante o inverno.

Contudo, apesar de poder ser entendido como uma boa notícia, a equipa avisa que é algo temporário, que poderá continuar por mais cinco ou 10 anos, e que quando acabar é provável que se registe uma perda de gelo marinho mais veloz do que a média registada até agora.

“As condições para a formação de gelo marinho no Ártico são, pelo menos, 33% menores do que eram quando começaram os registos por satélite há quase 50 anos”, diz, em comunicado, Mark England, primeiro autor do artigo.

“Tendo isso em conta – e o facto indisputável das alterações climáticas provocadas pelos humanos – poderá ser surpreendente encontrar uma desaceleração temporária na perda de gelo marinho no Ártico”, salienta. Contudo, alerta que se trata apenas de uma “pausa” que não durará para sempre, e que voltará a acelerar em força.

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