Degradação dos solos está a reduzir o rendimento das culturas agrícolas, alertam cientistas

O aviso é feito por uma equipa internacional de cientistas, que se lançou na demanda de descortinar os efeitos da degradação dos solos na produtividade agrícola.

Redação

A erosão, a perda de água e a compactação são alguns dos fatores que estão a pôr em causa a produção e abastecimento de alimentos a nível global, afetando uma grande porção da população mundial.

O aviso é feito por uma equipa internacional de cientistas, que se lançou na demanda de descortinar os efeitos da degradação dos solos na produtividade agrícola.

Num artigo publicado na revista ‘Nature Food’, dizem que se a degradação causada pelos humanos fosse revertida em 10%, é provável, pelo menos em termos puramente matemáticos, que os solos aráveis da Terra fossem capazes de alimentar quase mais 70 milhões de pessoas.

O grupo, encabeçado pela Universidade de Bona (Alemanha), diz que não só as queimadas para dar lugar a plantações, o uso excessivo de fertilizantes e que as monoculturas de grande escala estão a ameaçar a biodiversidade, mas que “muitas práticas de cultivo atuais estão também a causar danos de duradouros à qualidade do solo”.

Todas essas pressões estão a ser muitas vezes amplificadas por “crises de causa humana”, como as alterações climáticas, salientam os investigadores, que, por exemplo, fazem com que fortes e mais frequentes tempestades e chuvadas destruam ou façam desaparecer as camadas mais superficiais e férteis do solo. Além disso, os aquíferos subterrâneos estão, a nível global, a ficar vazios, em muito devido a fenómenos de precipitação intensa e a solos degradados que não permitem que a água se infiltre, fazendo, ao invés, com que escorra para longe e acabe por evaporar ou concentrar-se em superfícies impermeáveis, como estradas.

Dividindo as terras aráveis do planeta em quadrados com 10 quilómetros de lado, os investigadores calcularam as taxas de rendimento desses solos. Dessa forma, conseguiram identificar aqueles com as maiores taxas de rendimento, que, dizem, são também aqueles que, até agora, sofreram a menor quantidade de danos.

“Assim, estas áreas dão-nos uma referência relativamente ao que é possível em solos que não foram degradados ou influenciados de qualquer forma”, explica David Wuepper, principal coautor do estudo.

A partir daí, calcularam, com a ajuda de modelos alimentados por inteligência artificial, as perdas de rendimento dos solos degradados, usando parâmetros como erosão, falta de água, compactação causada pelo uso generalizado de máquinas agrícolas pesadas, a perda de dióxido de carbono do solo e um mínimo de cobertura vegetal.

Olhando para o todo e daí extraindo generalizações, estimam que um aumento de 10% na taxa de degradação reduz, em média, a rentabilidade dos solos em 2%.

“Em sentido inverso, se conseguíssemos reduzir a degradação em 10% a nível mundial, o rendimento das culturas aumentaria de tal forma que seria possível alimentar mais 70 milhões de pessoas”, salienta Hadi Hadi primeiro autor do artigo.

“De forma geral, os resultados mostram o quão importante a qualidade do solo é para o fornecimento de produtos agrícolas”, remata Wuepper.

Partilhe este artigo


Nova Edição

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.