Degradação oceânica pode custar 7,7 biliões de euros à economia mundial



A organização não-governamental World Wide Fund for Nature alertou hoje que a rápida degradação do oceano poderá custar 7,7 biliões de euros à economia mundial na próxima década, noticia a agência EFE.

O alerta está presente no guia “Saúde do Oceano. Guia introdutório para bancos centrais, reguladores financeiros e supervisores”, apresentado hoje e elaborado por técnicos da World Wide Fund for Nature (WWF) em conjunto com especialistas da Conferência das Nações Unidas sobre o Comércio e o Desenvolvimento (UNCTAD), do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP-FI), do Fórum Económico Mundial, do Stockholm Resilience Centre e da Planet Tracker.

De acordo com o guia, a rápida degradação dos oceanos “constitui um risco material para a estabilidade financeira mundial”, e ameaça a segurança alimentar e a produtividade económica.

“As autoridades financeiras podem proteger os ativos oceânicos e, ao mesmo tempo, impulsionar investimentos sustentáveis numa economia azul que gere emprego, segurança alimentar e resiliência climática”, sublinhou a organização.

A divulgação deste alerta coincide com o início das reuniões de altos representantes na COP30, no Brasil, e com o encontro do G20 – grupo formado pelos ministros de finanças e chefes dos bancos centrais das 19 maiores economias do mundo mais a União Africana e União Europeia – marcado para 21 de novembro.

A organização recordou que, enquanto principal fórum económico mundial, o G20 tem “um papel-chave” para liderar o alinhamento do sistema financeiro global com a resiliência oceânica e climática.

O documento pede ainda que a saúde oceânica seja integrada com urgência na regulamentação e supervisão financeiras.

A WWF defende que os bancos centrais e os reguladores financeiros “devem garantir que as políticas monetárias e financeiras apoiem, sem prejudicar, os ecossistemas marinhos que são o verdadeiro capital natural que sustenta a prosperidade global”.

O guia para os bancos centrais e supervisores tem várias recomendações, entre as quais avaliar e divulgar a exposição a riscos financeiros relacionados com os oceanos e integrar o risco oceânico na política monetária, na supervisão e nos testes de resistência bancária.

Entre os exemplos mencionados, o documento menciona o caso do Mar Menor, a maior lagoa salgada da Europa, situada no sudeste de Espanha, onde a degradação ecológica afetou o valor dos imóveis na zona e, consequentemente, as condições de crédito dos empréstimos garantidos por esses ativos.

“É essencial uma liderança coordenada através do G20, dos BRICS [Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul] e da Rede para Ecologizar o Sistema Financeiro, uma coligação de mais de 100 bancos centrais e supervisores, para alinhar as finanças com a proteção dos oceanos e garantir a estabilidade dos mercados a longo prazo”, afirmou o especialista do programa de clima e energia da WWF, Lennys Rivera.






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