Descubra como a inteligência artificial está a mudar a reciclagem de embalagens

E se a inteligência artificial pudesse decidir como reciclar melhor as embalagens? O quarto episódio da série dos 30 anos da Sociedade Ponto Verde mostra o que muda quando esta passa a estar no centro do sistema de reciclagem.

Green Savers

Durante anos, reciclar embalagens dependeu sobretudo de processos manuais e das pessoas. Mas e se a inteligência artificial pudesse ajudar a decidir como reciclar melhor? É esta a pergunta que dá o mote ao quarto episódio da série que assinala os 30 anos da Sociedade Ponto Verde.

Depois de recordar os grandes marcos, a passagem da quantidade para a qualidade dos materiais reciclados e o impacto social da reciclagem de embalagens, “Embalagens e Inovação Sempre no Ponto” chega ao momento em que a tecnologia passa a estar no centro do processo. Hoje, a inteligência artificial já transforma a forma como os resíduos de embalagens são identificados, separados e valorizados.

Uma câmara que vê para além do comum

Um dos exemplos vem da Sentinel, empresa portuguesa especializada em soluções de inspeção e visão inteligente para a indústria, que percebeu que faltavam sistemas deste tipo na reciclagem de embalagens.

Nasceu assim o Sentinel Smart Sorting, uma solução inovadora que combina visão computacional e inteligência artificial. Com uma câmara que vê para além do comum, este sistema identifica automaticamente contaminantes na triagem dos resíduos e orienta os robôs para a remoção, permitindo eficácia na reciclagem de embalagens. Apoiada pela Sociedade Ponto Verde e em parceria com a Resinorte, Valorização e Tratamento de Resíduos Sólidos S.A, esta tecnologia permite uma economia circular mais eficiente e acessível para todos.

O grande desafio é a variabilidade: os plásticos que passam numa semana podem ser muito diferentes dos da semana seguinte. A equipa foi treinando os seus modelos de inteligência artificial para manterem boa eficiência dia após dia. O resultado mais interessante é económico: usando câmaras a cores mais convencionais, a tecnologia atinge resultados semelhantes aos de sistemas bem mais caros, com um investimento mais baixo. Na prática, isso significa mais automação nas linhas, mais resíduos tratados e melhores taxas de recuperação.

Algoritmos para colocar ecopontos no sítio certo

A inteligência artificial não fica pela linha de triagem. No âmbito do RE.SOURCE, o programa de inovação aberta que a Sociedade Ponto Verde dinamiza com a consultora Beta-i, a Algar levou um desafio muito concreto: como acelerar a colocação de ecopontos onde eles fazem falta, em zonas com muita população mas poucos pontos de recolha disponíveis.

Com a startup portuguesa NILG.AI, foi desenvolvida uma ferramenta que cruza dados abertos com os dados internos da organização (históricos de recolha, densidade populacional, infraestrutura) para identificar as melhores localizações. Os resultados falam por si: o tempo de colocação de um ecoponto foi reduzido em mais de 80%, passando de cerca de duas semanas para poucas horas, e subiu também a taxa de aceitação das sugestões por parte dos municípios. Um projeto que chegou a ser distinguido com o prémio “Data Changemaker of the Year”.

De um sistema que reage a um sistema que antecipa

A mesma lógica está a chegar à recolha seletiva. Em vez de recolher sempre pelo calendário, as rotas passam a ajustar-se ao comportamento real das pessoas. Como se resume no episódio, “antes a recolha era calendário, hoje é cada vez mais comportamento”, e isso só é possível porque há dados.

Com projetos como o que a Algar já concluiu no RE.SOURCE, é possível prever enchimentos, otimizar rotas diárias de forma automática e ajustar circuitos em tempo quase real. O sistema deixa de reagir ao que acontece e começa a antecipar o que vai acontecer: um sistema que observa, aprende, antecipa e evolui, transformando aos poucos uma infraestrutura operacional num verdadeiro sistema de conhecimento contínuo sobre os materiais.

Tecnologia e sustentabilidade de mãos dadas

Processos manuais e automáticos, pessoas e máquinas: é dessa combinação que se constrói o futuro da reciclagem de embalagens. Como conclui o episódio, separar melhor e recuperar mais é o objetivo, e quando a inteligência entra no sistema, a reciclagem de embalagens também evolui.

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