Em 2024, o mundo perdeu 8,1 milhões de hectares de floresta, um nível de destruição 63% acima do que é preciso para ser possível travar a desflorestação até 2030.
Os números são apresentados num relatório divulgado esta semana pela “Forest Declaration Assessment”, uma iniciativa criada por uma coligação de organizações não-governamentais e investigadores, que declaram que “as florestas globais continuam em crise”.
Segundo a análise, no ano passado as florestais mantiveram-se sob “pressão massiva”, com as florestas tropicas primárias a continuarem a ser destruídas “a um ritmo alarmante”. Só em 2024, perderam-se 6,73 milhões de hectares de florestais tropicais primárias, o que resultou na libertação de uns estimados 3,1 mil milhões de toneladas de gases com efeito de estufa na atmosfera.
“A desflorestação continua a ser predominantemente causada pelo desbaste para a agricultura permanente, representando, em média, cerca de 86% da desflorestação global ao longo da última década”, dizem os autores do relatório.
Os especialistas chamam também a atenção para o problema da degradação florestal, menos falado do que a desflorestação, mas não menos preocupante. No ano passado, quase nove milhões de hectares de floresta tropical húmida estavam degradados, mais de metade do nível necessário para travar a degradação florestal até ao final da década.
A bacia do rio Amazonas foi especialmente afetada pela degradação provocada por incêndios, “um exemplo vívido de como as alterações climáticas antropogénicas e más práticas de gestão florestal podem transformar perturbações naturais em co-fatores do colapso dos ecossistemas”, destacam os relatores.
Os especialistas denunciam que os fluxos de financiamento, tanto privados como públicos, continuam a alimentar a perda de floresta a nível global, com subsídios prejudiciais a ultrapassarem largamente os benéficos num rácio de 200 para um. É por isso que a análise avisa que, apesar das promessas, ajuda financeira internacional para ajudar os países mais pobres e mais biodiversos a preservarem as suas florestas continuam a estar muito abaixo do que é preciso para que se consigam alcançar as metas traçadas para 2030, no seguimento de promessas feitas pelos países do mundo na 26.ª cimeira global do clima (COP26), que aconteceu em Glasgow, Reino Unido.
A menos de cinco anos até ao final da década, “o mundo deveria estar a assistir a um declínio acentuado da desflorestação”, dizem os relatores. “Ao invés, a curva da desflorestação global ainda nem começou a dobrar.”









