A gripe aviária foi detetada no cadáveres de um urso-polar e de uma morsa no remoto arquipélago de Svalbard, a meio caminho entre o Pólo Norte e a Noruega, no setor europeu do Ártico.
De acordo com as informações avançadas pelo Instituto Veterinário Norueguês, esta é a primeira vez que o vírus é detetado num urso-polar na Europa. O animal em questão era um jovem macho com cerca de um ano de idade, cujo corpo sem vida foi encontrado na região de Spitsbergen.
Após necrópsia, os especialistas perceberam que se tratava de vírus de gripe aviária do subtipo H5N5, que tinha sido já detetado em Svalbard: em aves selvagens em 2022, numa morsa em 2023 e em raposas em 2025. E, agora, em ursos-polares.

Os cadáveres do urso-polar e da morsa foram descobertos por guias turísticos em Raudfjorden, na costa noroeste de Spitsbergen, em meados do mês de maio. Outros dois ursos foram avistados exibindo sinais de alguma condição neurológica, com problemas em mexer as patas posteriores.
Diz o instituto norueguês que a paralisia foi anteriormente associada a ursos-polares infetados com raiva e a predadores infetados com gripe aviária de alta patogenicidade. Contudo, não foi detetada raiva em nenhum dos corpos.
“A descoberta faz parte de uma tendência em que a gripe aviária de alta patogenicidade está a ser cada vez mais detetada em mamíferos na Europa”, explica a virologista Ragnhild Tønnessen. A também coordenadora do programa de gripe aviária do Instituto Veterinário Norueguês refere que “nos últimos anos, o vírus tem vindo a expandir-se para novas áreas, incluindo para o Ártico, onde poderá afetar populações e ecossistemas vulneráveis”.

Este será apenas o segundo caso a nível mundial de deteção de gripe aviária num urso-polar. O primeiro foi também um jovem macho encontrado morto em Alasca, nos Estados Unidos da América, em 2023. Por isso, ainda muito pouco se sabe sobre o impacto que o vírus está a ter nas populações de ursos-polares.
Os cientistas dizem que os vírus da gripe aviária estão mais bem-adaptados para serem transmitidos entre aves. No entanto, os mamíferos, incluindo os humanos, podem contrair a infeção através do contacto com aves ou outros mamíferos infetados, estejam ainda vivos ou já mortos.








