Diversidade de predadores é essencial para manter ecossistemas saudáveis

A diversidade de predadores desempenha um papel fundamental na saúde dos ecossistemas, segundo um novo estudo liderado pela University of Waikato e publicado na revista científica Nature.

Redação

Investigação internacional conclui que a presença de uma maior variedade de predadores fortalece o funcionamento dos ecossistemas e aumenta a sua capacidade de resistência a perturbações ambientais.

A diversidade de predadores desempenha um papel fundamental na saúde dos ecossistemas, segundo um novo estudo liderado pela University of Waikato e publicado na revista científica Nature.

A investigação concluiu que os ecossistemas com maior diversidade de espécies — e, em particular, com uma maior diversidade de predadores — funcionam de forma mais eficiente, assegurando processos naturais essenciais como o controlo de pragas, a produção de alimentos, a regulação climática e a estabilidade ecológica.

O estudo analisou mais de 300 redes alimentares em ecossistemas marinhos, de água doce e do solo, abrangendo oceanos, lagos, rios e habitats terrestres de várias regiões do mundo.

Segundo o investigador principal, Andrew Barnes, os ecossistemas dependem das complexas relações entre as espécies, incluindo as cadeias alimentares e o fluxo de energia entre presas e predadores.“Quando os predadores desaparecem devido à destruição de habitats, à poluição ou às alterações climáticas, os efeitos propagam-se por todo o ecossistema, enfraquecendo funções importantes”, explica o investigador.

Predadores mantêm o equilíbrio natural

Entre os exemplos destacados no estudo estão uma espécie de falcão (kārearea) e a coruja (ruru) da Nova Zelândia e os tubarões, considerados espécies-chave para a manutenção do equilíbrio ecológico.

Os investigadores verificaram que os níveis de predação podem ser até 70 vezes superiores em ecossistemas com elevada diversidade biológica, demonstrando a importância dos predadores na regulação das populações e na circulação de energia através das cadeias alimentares.

Conservação deve proteger relações entre espécies

A equipa sublinha que os esforços de conservação não devem concentrar-se apenas na proteção de espécies individuais, mas também nas relações ecológicas que as ligam.

“Proteger a biodiversidade não significa apenas salvar plantas e animais isoladamente. Significa também preservar as interações entre eles”, afirma Barnes.

Segundo os autores, as políticas ambientais precisam de considerar as redes alimentares completas para garantir ecossistemas mais resilientes e capazes de responder a desafios como as alterações climáticas, a perda de habitat e a introdução de espécies invasoras.

Implicações para a conservação

Embora o estudo tenha uma dimensão global, os investigadores destacam que uma melhor compreensão das redes alimentares poderá ajudar a reforçar os programas de conservação e restauro ecológico, especialmente em regiões onde espécies invasoras continuam a ameaçar a biodiversidade nativa.

Os autores concluem que preservar a diversidade de predadores é uma das formas mais eficazes de garantir o funcionamento saudável dos ecossistemas e os benefícios que estes proporcionam às sociedades humanas.

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