O ecoturismo pode trazer benefícios relevantes para a conservação da natureza e a gestão de visitantes, mas não é suficiente para reduzir de forma significativa as emissões de carbono do setor do turismo, conclui um estudo internacional.
A investigação, conduzida por especialistas da Griffith University, da Academia Chinesa de Ciências e da Universidade de Lund, contesta a ideia de que o ecoturismo possa contribuir para a descarbonização do setor.
Segundo os autores, embora o ecoturismo tenha impactos positivos em contextos específicos, é incapaz de compensar ou reduzir, à escala global, as emissões geradas pelo turismo, sobretudo no transporte aéreo e nas grandes unidades hoteleiras.
O estudo baseia-se em evidência global e num caso de estudo na reserva florestal de Jiuzhaigou, na China, concluindo que os benefícios climáticos do ecoturismo são residuais quando comparados com as emissões associadas a viagens de longa distância.
O investigador Ralf Buckley alerta que a ideia de que o ecoturismo pode descarbonizar o setor pode ser instrumentalizada politicamente, atrasando medidas mais eficazes. O responsável considera que estas narrativas podem justificar o aumento contínuo das emissões e a expansão da atividade turística em áreas protegidas.
Os autores defendem que a descarbonização do turismo exige mudanças estruturais, incluindo a revisão de subsídios ao combustível da aviação e a redução da procura por viagens aéreas.
Apesar das limitações, o estudo reconhece que o ecoturismo pode gerar benefícios locais, nomeadamente na conservação ambiental, mas sublinha que o seu impacto é insuficiente para transformar um setor que continua fortemente dependente de sistemas de elevada intensidade carbónica.
O artigo foi publicado na revista científica npj Climate Action.









