Emissões globais da aviação podem ser reduzidas mais de metade com aviões mais eficientes, sem primeira classe e com mais passageiros

A conclusão é de um estudo internacional cujos autores dizem que o setor mundial da aviação pode desde já cortar cerca de 11% das suas emissões se usar, de forma estratégica e nas rotas já percorridas, os aviões mais eficientes que as companhias já têm.

Redação

As emissões de gases com efeito de estufa da aviação a nível global podem ser reduzidas entre 50% e 75% usando apenas as aeronaves que gastarem menos combustível, acabando com a primeira classe ou classe executiva e aumentando o número de passageiros por voo.

A conclusão é de um estudo publicado na revista ‘Communications Earth & Environment’, realizado por investigadores da Suécia, Dinamarca, Reino Unido e Alemanha. A equipa diz que o setor mundial da aviação pode desde já cortar cerca de 11% das suas emissões se usar, de forma estratégica e nas rotas já percorridas, os aviões mais eficientes que as companhias já têm.

O trabalho passou pela análise de mais de 27 milhões de voos comerciais em 2023, cobrindo perto de 26.000 trajetos e abrangendo cerca de 3,5 mil milhões de passageiros. A variação das emissões entre voos pode ser significativa, dizem os investigadores, com algumas rotas a produzirem cerca de 900 gramas de dióxido de carbono (CO2) por quilómetro para cada passageiro, um valor 30 vezes mais elevado do que as rotas mais eficientes, com cera de 30 gramas de CO2 por quilómetro.

Segundo as estimativas, em 2023 as emissões médias da aviação a nível global foram de 84,4 gramas de CO2 por quilómetro por cada passageiro. Numa altura em que se procura mitigar as alterações climáticas, onde a redução das emissões de gases com efeito de estufa é indispensável, os autores do artigo sugerem que as companhias aéreas usem apenas as aeronaves mais eficientes em termos de combustível, acabem com as zonas de primeira classe ou de classe executiva para criar mais lugares e aumentem para 95% a capacidade de transporte de passageiros.

A equipa diz que só o facto de se usarem somente os aviões mais eficientes já permite reduções significativas nas emissões. Além disso, apontam, substituir todas as aeronaves pelos modelos mais eficientes resultaria em poupanças de combustível entre 25% e 28%.

Em 2023, os voos analisados tinham uma ocupação média de passageiros de 79%, indo dos 20% aos 100%. Os investigadores dizem que aumentar essa média para 95% ajudaria a reduzir uns adicionais 16% das emissões.

Aplicando as três medidas a nível global, a equipa calcula que as emissões poderão ser reduzidas em mais de metade.

“Políticas baseadas na eficiência têm um grande potencial para reduzir as emissões da aviação e pode ser do próprio interesse económico das companhias aéreas”, diz, em nota Stefan Gössling, da Linnaeus University (Suécia) e primeiro autor do estudo.

“Mas a realidade é que muitas companhias continuam a voar com aeronaves antigas, baixas taxas de ocupação de passageiros e proporções crescentes de assentos na classe premium”, salienta.

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