A luta pela proteção do planeta e para mitigar as alterações climáticas é considerada uma das grandes demandas da história moderna da humanidade. Por isso, mobilizar o maior número de pessoas é fundamental.
Pelo mundo fora, múltiplas campanhas – de organizações não-governamentais, de governos – apelam a que todos façamos a nossa parte e nos juntemos a esse esforço de amplitude planetária. Diversos números e factos científicos, como os 1,5 graus Celsius, o limite máximo de aquecimento global do Acordo de Paris além do qual os impactos das alterações climáticas seriam ainda mais devastadores, ou os aumentos nas emissões de gases com efeito de estufa, são constantemente apresentados ao público. Mas será que essa abordagem é eficaz?
Um estudo liderado pelo Centro Suíço de Ciências Afetivas, da Universidade de Genebra, revela que a melhor forma de chegar às pessoas e de estimular o seu envolvimento na ação climática é através do apelo às emoções, e não tanto pela apresentação de factos científicos. Ou seja, campanhas de comunicação concebidas para promover a ação climática são mais eficazes quando, por exemplo, provocam sentimentos de maravilhamento face à beleza de uma paisagem natural do que quando apenas transmitem dados ou números.
Ainda, o artigo publicado este mês na revista ‘Journal of Environmental Psychology’ mostra que campanhas cujas mensagens destacam a responsabilidade individual e coletiva para proteger a Terra e combater as alterações climáticas são pouco ou nada eficazes.
Este trabalho consiste na revisão de 71 estudos que examinam o impacto de estratégicas de comunicação climática específicas, abrangendo, no total combinado, cerca de 216 mil participantes.
Foram identificadas 15 abordagens distintas, desde a apresentação de informação factual a apelos a emoções, passando pelo destaque de impactos específicos das alterações climáticas, como na saúde e na economia.
De acordo com os investigadores, todas essas estratégias têm efeitos positivos – umas mais do que outras – nas intenções e comportamentos das pessoas, bem como na sua inclinação para apoiar políticas climáticas.
Contudo, como explica Tobias Brosch, principal coautor do estudo, “estratégias baseadas na responsabilidade individual e coletiva – com mensagens como ‘o sucesso depende, em grande parte, de si’ – parecem ter pouco ter pouco ou nenhum efeito”.
Aliás, o investigador diz mesmo que esse tipo de campanhas pode ter o efeito contrário ao pretendido.
“Campanhas que evoquem uma forte resposta emocional – sobretudo através de histórias ou ao inspirar um sentimento de admiração pela beleza da natureza – são significativamente mais eficazes do que apenas apresentar factos e evidências científicas”, destaca Brosch.
“As mensagens que tenham por base considerações morais, éticas ou até religiosas, destacando a nossa ligação a algo maior do que nós próprios que temos a responsabilidade de preservar, também alcançam melhores resultados”, acrescenta.
Além de tudo isso, a equipa percebeu que as mensagens que são acompanhadas por imagens tendem a ser mais bem recebidas e a estimular a ação, neste caso em prol do clima, do que as que contêm apenas texto.
“Numa altura em que as evidências científicas estão bem estabelecidas e o desafio consiste em transformar o conhecimento em ação, há uma margem considerável para melhorar a comunicação sobre o clima”, conclui o académica da Universidade de Genebra.









