Tal como aconteceu com a revolução industrial, a sociedade moderna está à beira de uma nova revolução que poderá trazer consigo a perda de milhões de postos de trabalho. Falamos dos avanços nas áreas da automação e inteligência artificial, dois campos que poderão significar o desaparecimento de empregos em áreas até agora imunes aos avanços dos computadores.

Numa entrevista à CNBC, Yuval Harari, historiador Israelita e um dos autores preferidos de Bill Gates, disse estar certo que estas novas tecnologias vão originar a perda de empregos a curto prazo. Todavia, o historiador prevê que os empregos menos afetados pela nova vaga de automação serão aqueles com uma vertente criativa. “É bastante certo que muitos empregos vão desaparecer, especialmente os mais repetitivos. Os empregos que requerem um mais alto grau de criatividade estão mais seguros – pelo menos, para já.”

O historiador falou também sobre a possibilidade de a tecnologia trazer consigo novos tipos de emprego, mas avisou sobre o perigo de virmos a ter uma “classe inútil” composta pelas pessoas cujos empregos desapareceram devido à automação. “O que precisamos realmente não é de proteger os trabalhos, mas sim os humanos. Penso que o grande perigo de aparecer uma classe inútil não é por causa da perda de empregos, mas sim por causa da dificuldade de nos reinventarmos. Como é que o fazemos aos 50 anos? Não é impossível, mas é muito difícil.”

Harari defende que os governos e instituições terão de suportar esta classe de pessoas que inevitavelmente irá perder o seu emprego, refletindo aquilo que também se acredita nos países escandinavos sobre este assunto.

 

Peritos sem consenso sobre o número de empregos perdidos para a automação

Diferentes estudos dão origem a diferentes estimativas sobre o número total de empregos que serão perdidos para a automação mais inteligente que está a chegar. A McKinsey estima que se vão perder entre 400 e 800 milhões de postos de trabalho até 2030. Já a OCDE, estima que este valor será de 14% de todos os empregos nas economias dos países desenvolvidos, ou 66 milhões de postos de trabalho. Este é um valor muito abaixo da McKinsey e também dos 47% de perdas previstas num estudo da Oxford University.

A razão pela qual estes números variam tanto prende-se com a dificuldade em perceber em concreto o tipo de tarefas que as pessoas têm nos seus empregos. Por exemplo, alguém que trabalhe numa fábrica pode ver grande parte das suas tarefas automatizadas por máquinas. Mas esse funcionário pode também desempenhar outras tarefas de gestão de pessoas que não são automatizáveis nem óbvias à primeira vista. Por conseguinte, um mesmo tipo de emprego pode acarretar diferentes responsabilidades e tarefas dependendo do país, zona do país ou empresa onde a pessoa trabalha. É por esta razão que é tão difícil prever o número total de empregos que se vão perder para as máquinas.

Mas mesmo que a próxima onda de automação não seja tão destrutiva quanto alguns especialistas afirmam, é preciso que as sociedades se preparem para ela. Mesmo os números mais conservadores da OCDE significam uma perda de 66 milhões de postos de trabalho – o equivalente a toda a população francesa.