Empresas europeias associam transição sustentável a maior competitividade, revela inquérito da WWF

O estudo “Beyond Uncertainty”, realizado junto de líderes empresariais seniores, surge num contexto de crescente discussão sobre a simplificação da legislação europeia e o seu impacto na competitividade das empresas. De acordo com os resultados, 91% dos inquiridos associam a transição ecológica a ganhos de competitividade no longo prazo.

Redação

Nove em cada dez líderes empresariais europeus consideram que a transição para uma economia de baixo carbono e ambientalmente sustentável reforça a competitividade da União Europeia (UE) a longo prazo, segundo um inquérito da GlobeScan encomendado pela WWF.

O estudo “Beyond Uncertainty”, realizado junto de líderes empresariais seniores, surge num contexto de crescente discussão sobre a simplificação da legislação europeia e o seu impacto na competitividade das empresas. De acordo com os resultados, 91% dos inquiridos associam a transição ecológica a ganhos de competitividade no longo prazo.

Ao mesmo tempo, 55% afirmam que os recentes esforços de simplificação da UE tiveram um impacto negativo ou neutro nas suas empresas. Apenas 29% dos líderes empresariais inquiridos identificaram impactos positivos das iniciativas recentes destinadas a simplificar a legislação.

Entre os efeitos negativos ou neutros apontados, o mais referido foi o aumento da incerteza sobre a futura orientação das políticas europeias, mencionado por 57% dos inquiridos. O estudo identifica ainda como consequências a possibilidade de investimentos realizados para cumprir requisitos legais se tornarem desnecessários e um enfraquecimento dos incentivos económicos à sustentabilidade.

Quando questionados sobre as medidas que a UE deveria privilegiar para reforçar a competitividade, 43% apontaram a existência de políticas e legislação previsíveis e coerentes. Seguiram-se o investimento público e os incentivos, com 31%, e a disponibilização de energia limpa a preços acessíveis, com 29%.

O inquérito identifica ainda vários fatores associados pelos líderes empresariais à continuidade da transição ecológica, entre os quais a redução da exposição aos riscos climáticos e relacionados com a perda de natureza, uma maior segurança energética e de recursos e custos mais estáveis e previsíveis.

Os dados são divulgados numa altura em que a Comissão Europeia tem vindo a avançar com medidas para simplificar regras ambientais e reduzir encargos administrativos. Bruxelas afirma que estas iniciativas procuram tornar a legislação mais clara e fácil de aplicar, mantendo os objetivos de proteção ambiental.

A Comissão Europeia estima, por outro lado, que a não implementação integral da legislação ambiental da UE representa custos económicos de cerca de 180 mil milhões de euros por ano, associados, entre outros fatores, à poluição, degradação dos ecossistemas e resíduos.

Para a WWF Portugal, os resultados do inquérito contrariam a ideia de que o enfraquecimento das regras ambientais seria uma condição para aumentar a competitividade europeia.

“A desregulamentação não vai salvar a Europa da crise climática e as empresas já perceberam isso”, afirma Sofia Almeida, técnica de Políticas da WWF Portugal, acrescentando que, na perspetiva da organização, “enfraquecer as políticas de sustentabilidade só tornará a Europa menos competitiva”.

Também Ester Asin, diretora do Escritório Europeu de Políticas da WWF, considera que os resultados mostram que os líderes empresariais não veem sustentabilidade e competitividade como objetivos incompatíveis. Segundo a responsável, as empresas procuram regras europeias “ambiciosas e estáveis” que lhes permitam investir e inovar com maior previsibilidade.

Partilhe este artigo


Nova Edição

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.