Empresas portuguesas acusadas de tráfico ilegal de madeira na Amazónia

A acusação foi tornada pública pela GreenPeace Brasil: há empresas portuguesas envolvidas no tráfico ilegal de madeira de ipê, madeira muito procurada nos circuitos clandestinos, e que é recolhida ilegalmente na floresta da Amazónia, local tido em tempos como o pulmão do planeta Terra. Empresas norte-americanas e de vários países europeus são também visadas no relatório agora conhecido.

Segundo a GreenPeace Brasil, um elaborado esquema criado por madeireiros e agentes estatais corruptos permitiu que fossem cortadas inúmeras árvores de madeira de ipê, num volume muito superior ao permitido por lei. Empresas norte americanas, portuguesas, belgas, francesas e holandesas estariam a par de todo o processo, havendo mesmo documentos “com provas de exercerem actividade ilegal”.

Mas como foi possível fazer sair do país cargas de madeira protegida? Vários engenheiros surgem acusados de falsificação de inventários e documentos, uma vez que terão aumentado o número destas árvores ou “disfarçado” de ipê árvores menos nobres, para conseguirem madeira menos valiosas pelo mesmo valor.

Em causa estarão créditos dados aos madeireiros para terem direito a cortar e exportar aquela madeira não existente. “Estes créditos são depois utilizados para alterar as contas das serrações que tratam das árvores abatidas ilegalmente nas florestas situadas nas terras indígenas, nas zonas protegidas ou nos terrenos públicos”, explica a organização ambiental.

Dona de uma resistência e densidade como poucas, a madeira da árvore de ipê é muito procurada para a produção de mobiliário de jardim, mais vulnerável aos elementos. Ora, chegar a esta árvore emprenhada na paisagem amazónica não é tarefa fácil, com os madeireiros a deixarem um rasto de destruição no caminho até lá.

O elevado valor económico que alcançam ajuda a perceber o porquê do interesse por esta árvore, já que um metro cúbico desta madeira depois de transformada pode superar os 2 mil euros. “O grande valor da ipê faz com que seja lucrativo para os madeireiros ilegais irem mais longe dentro da floresta” para cortarem cada vez mais árvores”, lamenta o relatório.

Números divulgados pela GreenPeace Brasil dão conta da importação de 10.171 metros cúbicos entre Março de 2016 e Setembro de 2017 por empresas norte-americanas. Ao mesmo tempo, 11 países da União Europeia compraram 9.775 metros cúbicos de madeira de ipê, com Portugal a ser responsável por 1862,24 metros cúbicos adquiridos nesse período.

 

Foto: Rogério Assis/Greenpeace via flickr