EOSDA vai usar dados de satélite para monitorizar incêndios florestais em Coimbra

De acordo com a informação avançada, o projeto teve início em março deste ano e é financiado pelo programa InCubed da ESA, uma iniciativa de Observação da Terra gerida pelo ESA Φ-lab, que apoia o desenvolvimento de inovações e aplicações comerciais baseadas em dados de observação da Terra.

Redação

Em 2025, a região de Coimbra, em Portugal, enfrentou a pior época de incêndios florestais da sua história, com mais de 64.000 hectares ardidos. Em todo o país, cerca de 270.000 hectares foram destruídos.

Para ajudar a evitar que isto volte a acontecer, a EOS Data Analytics (EOSDA), em parceria com a EOSSAT (Portugal), assinou um contrato com a Agência Especial Europeia (ESA) para desenvolver uma solução inovadora baseada em satélite para a monitorização florestal e prevenção de incêndios.

De acordo com a informação avançada, o projeto teve início em março deste ano e é financiado pelo programa InCubed da ESA, uma iniciativa de Observação da Terra gerida pelo ESA Φ-lab, que apoia o desenvolvimento de inovações e aplicações comerciais baseadas em dados de observação da Terra.

A EOSDA, juntamente com o parceiro local Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra, irá abranger 19 municípios (uma área estimada de 4.336 quilómetros quadrados) em toda a região, identificando riscos de incêndio, apoiando a prevenção, avaliando perdas e planeando a recuperação florestal após os incêndios.

“Através do InCubed, a ESA apoia a transformação de dados de Observação da Terra em serviços que respondem a desafios reais”, explica, citado em nota, Daniele Romagnoli, responsável pelo InCubed na ESA.

“O projeto em Coimbra, que estamos a desenvolver com a EOSDA, é um excelente exemplo de como a tecnologia de satélite pode ajudar uma organização local a avaliar riscos e impactos dos incêndios, bem como a orientar o planeamento da recuperação. É assim que a tecnologia espacial contribui para o dia a dia das pessoas, e é isso que o programa InCubed pretende reforçar”, salienta.

Diz a EOSDA que mais de 45% da região de Coimbra está coberta por floresta, pelo que métodos tradicionais de avaliação de risco — como inspeções no terreno, sensores terrestres e procedimentos locais — são lentos e dispendiosos para áreas extensas.

Atendendo a esse contexto, a empresa argumenta que a sua solução combina dados do satélite EOS SAT-1 (com resolução de três metros) com processamento automatizado e validação por especialistas. Como resultado, os municípios de Coimbra receberão mapas trimestrais com alterações na cobertura florestal, áreas ardidas e progresso da recuperação, através da plataforma SADGE (O Sistema de Apoio à Decisão e Gestão da Emergência (SADGE) da CIM Região de Coimbra).

“Estamos verdadeiramente empenhados em reduzir o impacto dos incêndios florestais nas comunidades e no ambiente”, assegura Oleksii Shchehliuk, diretor-geral da EOSDA.

“Com 12 anos de desenvolvimento de tecnologias de monitorização florestal baseadas em dados espaciais, e com as soluções de observação da Terra que já disponibilizamos a clientes empresariais, aplicamos agora esta experiência para reforçar a resiliência aos incêndios na região de Coimbra, em Portugal. Este projeto tem um forte potencial de expansão para outras regiões e países que enfrentam riscos semelhantes”, afirmou o responsável.

Ao longo do projeto de 12 meses, a monitorização florestal poderá atingir até 90% de precisão na identificação de áreas de risco de incêndio, o que, refere a EOSDA, poderá contribuir para uma redução de até 30% no número de incêndios.

Uma maior precisão na monitorização poderá também ajudar as equipas de prevenção e resposta a atuarem de forma mais eficaz. Como resultado, até 25.000 hectares por ano poderão ser preservados apenas na Região de Coimbra, que serve como área-piloto, estima a empresa.

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