A exigência para que as empresas orientem os seus negócios em linha com critérios ambientais, sociais e de governança (ESG) está a aumentar cada vez mais, e os investidores são vistos como peças fulcrais para pressionarem a adoção de práticas mais sustentáveis.
Contudo, um novo estudo aponta que, embora essa pressão dos investidores possa gerar menos emissões diretas das empresas nas quais investem, por vezes isso pode levar à transferência da poluição para a cadeia de abastecimento, o que, na prática, não altera as emissões pelas quais as empresas são responsáveis.
Num artigo publicado na revista ‘Strategic Management Journal’, investigadores da Universidade de Hong Kong (China), da Universidade de Melbourne (Austrália) e da Universidade Bentley (Estados Unidos da América) dizem que esse “outsourcing” pode ser reduzido se os investidores ajudarem as empresas a adotarem tecnologias mais amigas do ambiente e se supervisionarem diretamente as práticas dos fornecedores.
O objetivo do trabalho era perceber se os investimentos orientados por ESG melhoram realmente os impactos ambientais das empresas ou se a poluição era simplesmente deslocada.
Shipeng Yan, primeiro autor do estudo, explica que os investidores, mesmo os mais experientes, estão preparados para compreender as empresas nas quais investem, mas não para auditar cada um dos níveis da cadeia de abastecimento global. Além disso, dados sobre a produção, as emissões e as relações de abastecimento do lado dos fornecedores estão muitas vezes incompletos, são voluntários ou são sensíveis do ponto de vista comercial.
É por essa razão, diz Yan, que é possível fazer essa transferência da poluição para satisfazer as exigências dos investidores em matéria de ESG.
A promoção de uma maior sustentabilidade nas empresas não é da exclusiva responsabilidade dos investidores, nem é de esperar que a pressão por eles exercida seja suficiente para conseguir essas mudanças. Ainda assim, dizem estes investigadores que são elementos centrais para ajudar as empresas nas quais investem a trilhar esse caminho e a evitar que elas se tornem mais “verdes” à custa da transferência da poluição para lá das fronteiras institucionais para a cadeia de abastecimento.









