As espécies vegetais invasoras recuperam mais depressa dos incêndios florestais do que as plantas nativas, segundo um estudo realizado na Nova Zelândia, levantando preocupações sobre o impacto do aumento de fogos provocado pelas alterações climáticas nos ecossistemas de zonas secas.
A investigação acompanhou a recuperação da vegetação durante 16 meses após um incêndio ocorrido em 2020 na Pukaki Scientific Reserve, que destruiu cerca de 300 hectares de pradarias e arbustos.
Os cientistas concluíram que as gramíneas exóticas retomaram o crescimento mais rapidamente do que as espécies nativas. Enquanto muitas plantas invasoras regeneraram através da dispersão de sementes, a maioria das plantas nativas sobreviveu ao fogo graças à regeneração a partir das estruturas já existentes.
A investigação foi conduzida por Nicola Day, da Victoria University of Wellington.
Segundo a investigadora, a atividade de incêndios deverá aumentar em várias regiões secas da Nova Zelândia, especialmente na parte oriental da Ilha do Sul.
O estudo verificou ainda que as plantas nativas lenhosas recuperam mais lentamente do que gramíneas e pequenas plantas com flor, o que poderá favorecer progressivamente a expansão de espécies invasoras em cenários de incêndios mais frequentes.
Apesar disso, os investigadores sublinham que muitas plantas nativas conseguiram sobreviver naturalmente ao fogo, sem necessidade imediata de reflorestação ativa.
“Com base nos nossos resultados, sugerimos que a plantação ativa após incêndios pode não ser necessária para a recuperação da vegetação”, explica Nicola Day, defendendo, contudo, um maior acompanhamento científico antes e depois dos fogos para apoiar decisões de gestão ambiental.
Os autores alertam que o aumento da frequência de incêndios poderá alterar gradualmente a composição dos ecossistemas secos, favorecendo espécies invasoras em detrimento da vegetação nativa.









