A moringa (Moringa oleifera), ou acácia-branca, é conhecida pelas suas propriedades curativas e alto valor nutricional. Oriunda da Índia, das sementes desta árvore é possível obter um óleo rico em ácidos gordos e antioxidantes.
Uma nova investigação, liderada por cientistas da Universidade Estadual de São Paulo, no Brasil, descobriu que essas sementes têm um outro “superpoder”: são excelentes na remoção de microplásticos da água potável com uma eficácia quase equivalente à de produtos químicos usados atualmente.

Há vários anos que as sementes da moringa têm sido estudadas pelo seu potencial no tratamento de águas, especialmente na remoção de partículas microscópicas de plástico, os microplásticos. Num artigo publicado na revista ‘ACS Omega’, estes investigadores dizem que os extratos de sementes de moringa conseguem coagular essas partículas, tornando mais fácil a sua filtração em estações de tratamento de água.
Os resultados foram obtidos através de experiências em laboratório, tendo microplásticos de policloreto de vinilo (PVC) como principal contaminante, que colocaram em amostras de água da torneira. Dizem os investigadores que escolheram o PVC porque os microplásticos dele resultantes estão entre “os mais perigosos para a saúde humana”, com potencial cancerígeno.
Em equipamentos que simulam processos de tratamento de água, os cientistas examinaram a ação do extrato de sementes de moringa e compararam os resultados com os de testes feitos com sulfato de alumínio, que é usado nos tratamentos tradicionais de águas para consumo humano.
Os resultados apontam que o extrato das sementes é cerca de 98% eficaz na remoção dos microplásticos quando usado em sistemas de filtração, quando tão eficaz quanto o sulfato de alumínio. Por isso, escreve, no artigo, a equipa envolvida neste trabalho, o extrato das sementes de moringa “representa uma alternativa viável e sustentável aos coagulantes convencionais baseados em alumínio” para a remoção de microplásticos de PVC da água potável.
Em águas mais alcalinas, explica Gabrielle Batista, primeira autora do estudo, a eficácia do extrato das sementes é até mesmo superior ao do produto químico.
Os cientistas dizem que as grandes vantagens do uso do extrato de sementes são o facto de o produto ser renovável, biodegradável, e não criar grandes quantidades de lamas e de serem menos preocupantes em termos de toxicidade do que o sulfato de alumínio. A exposição a altos níveis de alumínio foi associada a doenças neurodegenerativas.
Contudo, há limitações. Estima-se que uma semente de moringa possa tratar cerca de 10 litros de água, pelo que grandes estações de tratamento de água exigiriam grandes quantidades de sementes. Mas Adriano Gonçalves dos Reis, principal coautor do artigo, refere que “em pequenas escalas, como propriedades rurais e pequenas comunidades, o método poderia ser usados com baixo custo e com eficiência”.









