Portugal dá hoje um passo decisivo na forma como olha para as embalagens de bebidas — deixando de as tratar como resíduos para as assumir como recursos com valor. Arranca oficialmente o Sistema Nacional de Depósito e Reembolso (SDR), colocando o país no grupo dos 19 Estados europeus que já adotaram este modelo e tornando-o o primeiro mercado de dimensão relevante no sul da Europa a implementar um sistema desta natureza.
“Mais do que uma nova medida ambiental, o SDR representa uma mudança estrutural de paradigma: cada garrafa ou lata passa a ter um valor económico associado, incentivando a sua devolução e reintegração no ciclo produtivo”, sublinha a TOMRA Collection Portugal em comunicado.
A partir de agora, os consumidores pagam um depósito de 0,10€ na compra de bebidas em embalagens elegíveis — garrafas de plástico PET e latas metálicas até 3 litros — recuperando esse valor na íntegra quando devolvem as embalagens nos pontos de recolha.
As lojas com mais de 400 m² passam a ter de assegurar a recolha, podendo optar por sistemas automáticos ou manuais. Está previsto um período de adaptação de 120 dias para implementação das soluções necessárias.
“O SDR de Portugal é um passo transformador rumo a um ambiente mais limpo e a uma economia verdadeiramente circular”, afirma Paulo Borges, diretor da TOMRA Collection Portugal. “Estamos a criar um sistema em que as embalagens deixam de ser descartáveis e passam a fazer parte de um ciclo contínuo de reutilização.”
Uma das tecnologias de recolha será assegurada pela TOMRA, empresa com mais de 50 anos de experiência, mais de 91 mil máquinas instaladas globalmente e responsável pela recolha anual de mais de 53 mil milhões de embalagens.
Impacto esperado: mais recolha, menos desperdício
O novo sistema deverá:
• Aumentar significativamente as taxas de recolha
• Melhorar a qualidade dos materiais reciclados
• Reduzir o lixo disperso no espaço público
• Diminuir a dependência de matérias-primas virgens
Em termos práticos, trata-se de fechar o ciclo das embalagens, aproximando Portugal das metas europeias mais exigentes em matéria de reciclagem e sustentabilidade.
O sistema arranca com mais de 2.500 pontos de recolha automática, assegurando cobertura alargada em todo o território, incluindo Açores e Madeira. O SDR será gerido pela SDR Portugal, que coordena a operação e o cumprimento das metas definidas.
O verdadeiro impacto do SDR vai além da tecnologia ou da legislação. Está na criação de um novo hábito coletivo: devolver, reutilizar e valorizar cada embalagem. Portugal entra, assim, numa nova fase — em que reciclar deixa de ser apenas uma opção e passa a ser parte integrante do consumo.
Principais dados do SDR em Portugal
• Arranque: 10 de abril de 2026
• Depósito: 0,10€ por embalagem
• Abrangência: garrafas PET até 3L e latas
• Cobertura: mais de 2.500 pontos de recolha
• Âmbito: todo o território nacional, incluindo regiões autónomas









