A humidade pode temporariamente alterar a cor de uma abelha que vive na América do Norte, que reverte à sua tonalidade “habitual” quando a quantidade de humidade no ar decresce.
A revelação é feita por um grupo de cientistas da Queen Mary University of London (Reino Unido) e da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara (Estados Unidos da América). Num estudo publicado recentemente na revista ‘Biology Letters’, os investigadores dizem que as abelhas da espécie Agapostemon subtilior são conhecidas pelos seus tons metálicos esverdeados e azulados, mas até agora não se sabia por que razão algumas pareciam mudar de cor.
No que descrevem como a primeira prova experimental de que estas abelhas, de facto, mudam de cor, os investigadores estudaram exemplares preservados de museu. Expondo-os ao ar seco, as abelhas exibiam uma colaboração azul, mas, quando o teor de humidade aumentava, a sua cor mudava para um verde acobreado. Quando o ar voltava a ficar seco, readquiriam a tonalidade azul.

As cores da maior parte dos animais vêm de pigmentos na sua pele, mas a destas abelhas provêm de estruturas microscópicas nos seus corpos que refletem e difundem em comprimentos de onda específicos a luz que sobre eles incide. É algo semelhante ao que se observa as penas iridescentes dos colibris, por exemplo.
Como, em alguns animais, essas minúsculas estruturas dilatam ligeiramente quando expostas à humidade, refletindo, assim, tonalidades mais avermelhadas, os investigadores pensam que algo de semelhante está a acontecer no caso das abelhas Agapostemon subtilior. No entanto, admitem que é preciso mais trabalho de investigação para perceber realmente os mecanismos que estão por detrás deste traço camaleónico. E não afastam a possibilidade de outras espécies poderem ter características semelhantes.
“Quando as pessoas pensam em abelhas, frequentemente pensam em abelhas do mel pardacentas, castanhas”, diz Madeleine Ostwald, primeira autora do estudo. “Na realidade, as abelhas são incrivelmente diversas e coloridas, e só agora estamos a começar a compreender como é que a sua aparência reflete o clima em que vivem”, explica.
A investigadora refere que, embora muita gente possa associar a mudança de cor a animais como os camaleões, que o fazem voluntariamente, estas abelhas não mudam de cor porque querem, uma vez que é algo que acontece passivamente, uma mera resposta à humidade que as rodeia.
Os insetos usam a cor para uma panóplia de finalidades: para regularem a temperatura dos seus corpos, para comunicarem, para se esconderem de presas e predadores. No entanto, não se conhece, para já, a função desta mudança de cor nas Agapostemon subtilior, nem se afeta o seu comportamento ou a sua sobrevivência.
Para Ostwald, é mais uma “camada de mistério” que se coloca sobre estas curiosas abelhas americanas.
Esta quarta-feira, dia 22 de maio, assinala-se o Dia Mundial da Abelha e dos Polinizadores, uma efeméride instituída em 2018 pela Assembleia Geral das Nações Unidas com o objetivo de chamar a atenção do mundo para o papel essencial que os polinizadores (não só abelhas, mas também borboletas, sirfídeos e outros animais) desempenham na manutenção da biodiversidade e na sustentabilidade das sociedades humanas.









