Estas focas estão a usar grutas subaquáticas para escaparem aos turistas na Grécia

Durante os meses mais quentes do ano, massas de turistas, na ânsia de avistarem esses mamíferos selvagens, perseguem-nas até às grutas costeiras nas quais descansam e cuidam das suas crias. Essas interações, ainda que possam não ser mal-intencionadas, podem ter impactos negativos nas focas, incluindo a separação de crias e progenitoras.

Redação

Ao largo da costa ocidental da Grécia continental, banhada por águas cristalinas de tons turquesa, está o ilhéu de Formicula, um popular destino turístico com grande movimento na época do verão. Esse local idílico é partilhado por humanos e por lobos-marinhos (Monachus monachus), mas a relação nem sempre é pacífica.

Durante os meses mais quentes do ano, massas de turistas, na ânsia de avistarem esses mamíferos selvagens, perseguem as focas, também conhecidas como focas-monges-do-mediterrâneo, até às grutas costeiras nas quais descansam e cuidam das suas crias. Essas interações, ainda que possam não ser mal-intencionadas, podem ter impactos negativos nas focas, incluindo a separação de crias e progenitoras.

Agora, uma nova investigação revela que os lobos-marinhos de Formicula encontraram uma forma de escaparem aos olhares curiosos dos turistas. Num artigo publicado na revista ‘Oryx’, um grupo de cientistas europeus observou os animais a usarem uma pequena gruta subaquática para descansarem em paz e sossego.

Lobo-marinho fêmea a dormitar à tona de água, com o seu corpo refletido na superfície, para lá da qual está a câmara seca da gruta subaquática. Foto: Gonzalvo et al., Oryx, 2026.

A gruta é apenas acessível através de uma abertura que está debaixo de água, através da qual as focas podem aceder a uma câmara seca. Os investigadores consideram que essa adaptação é especialmente importante para assegurar a conservação de uma espécie que está classificada como “Vulnerável” a nível global e como “Criticamente ameaçada” na região do Mar Mediterrâneo.

Com não mais do que 600 indivíduos adultos em todo o mundo, os lobos-marinhos são considerados os pinípedes mais raros da Terra.

Habituadas a viverem em grutas à beira-mar, ao longo das praias banhas pelo Mediterrâneo, a crescente pressão e perturbação causadas pelos turistas obrigou essas focas a procurarem alternativas.

Através de câmaras à prova de água colocadas perto da entrada para a gruta subaquática, os cientistas registaram que as focas usaram o local em 119 dos 141 dias de monitorização. Várias imagens captadas mostram focas a descansarem boiando à superfície ou a dormitarem imóveis no leito marinho.

Foca a dormir no leito marinho. Foto: Gonzalvo et al., Oryx, 2026.

Embora digam que a proteção das grutas costeiras é fundamental para preservar a espécie, os autores do estudo indicam que é igualmente crucial incluir estes abrigos subaquáticos, e outros que venham a ser descobertos, nos planos de conservação.

A importância de mitigar os impactos do turismo na espécie ameaçada levou o governo grego a implementar, em dezembro de 2024, um regime de proteção em torno de Formicula, que inclui uma zona de acesso interditado.

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