O aumento das temperaturas e a crescente eletrificação dos processos produtivos estão a tornar o verão num período exigente para as empresas do setor de Comércio e Indústria (C&I), cujos sistemas de climatização, refrigeração, ventilação e bombagem elevam significativamente os consumos energéticos.
De acordo com dados recentes da REN (Redes Energéticas Nacionais), Portugal registou dois máximos históricos consecutivos de consumo de eletricidade para um período de verão, atingindo 171,1 gigawatts-hora (GWh), o que ultrapassa o anterior máximo registado em 2022.
“O verão expõe de forma muito evidente a vulnerabilidade das empresas a picos de consumo, custos horários elevados e ativos energéticos pouco coordenados.”, afirma Pedro Miranda, Co-Founder e CEO da Youdera. “A resposta não passa apenas por consumir menos, mas por consumir de forma mais inteligente, integrando produção descentralizada, armazenamento e gestão operacional numa única estratégia de criação de valor.”, acrescenta.
Neste contexto, a Youdera, empresa especializada em soluções de energia descentralizada e modelos Energy-as-a-Service, identifica cinco estratégias para melhorar a eficiência, reduzir a exposição à volatilidade e falta de liquidez dos mercados e reforçar a competitividade energética das empresas de C&I:
1 | Produzir, armazenar e gerir a própria energia
A produção local de energia através de painéis fotovoltaicos é o primeiro passo para reduzir a dependência da rede, mas as principais vantagens surgem quando essa produção é combinada com sistemas de armazenamento. As baterias permitem armazenar energia durante as horas de maior produção e menor preço, uma gestão crucial para que as empresas reduzam picos tarifários e aumentem o autoconsumo.
2 | Integrar iluminação LED com gestão inteligente de carga
A substituição de sistemas tradicionais por Díodo Emissor de Luz (LED) continua a ser uma medida eficiente mas, no segmento empresarial, o maior impacto resulta da sua integração com uma gestão coordenada das cargas. A utilização de sensores IoT – que se adaptam ao ambiente exterior – e de sistemas de controlo permite ajustar os consumos à ocupação real dos espaços, reduzindo desperdícios.
3 | Otimizar o modo “standby” industrial
No contexto industrial, o modo “standby” não está apenas associado a pequenos equipamentos, podendo envolver bombas, linhas de produção e compressores, que permanecem ativos mesmo durante períodos de baixa utilização. A criação de “janelas de standby zero”, coordenadas com os ciclos de produção e com o carregamento das baterias, permite reduzir consumos permanentes.
4 | Garantir uma climatização eficiente
No verão, os sistemas de climatização e refrigeração estão entre os principais responsáveis pelo aumento da potência contratada e pelos picos de consumo das empresas. Uma bateria pode ser utilizada para limitar o impacto do arranque simultâneo de equipamentos de elevada potência, reduzindo os picos. A manutenção preventiva e o correto dimensionamento das máquinas são ações determinantes.
5 | Adotar uma gestão térmica preditiva
A gestão térmica inteligente pode criar ganhos relevantes quando é articulada com dados meteorológicos, sensores, produção solar e sistemas de armazenamento. Ao deslocar parte do esforço térmico para períodos mais favoráveis, as empresas conseguem reduzir a pressão sobre os equipamentos, limitar os picos de potência e manter as condições operacionais necessárias com menor exposição ao mercado.
Face à maior volatilidade dos preços, ao crescimento da produção renovável e à alteração dos padrões de consumo, a gestão ativa da energia deve ser uma prioridade empresarial. No setor de C&I, o verão representa uma oportunidade para as empresas testarem novos modelos de flexibilidade, acelerarem a eficiência operacional e reforçarem a competitividade.









