Um novo estudo sobre o vulcão Whakaari/White Island, na Nova Zelândia, revela como a pressão pode acumular-se no seu interior mesmo quando continua a libertar gases para a atmosfera, ajudando a explicar porque algumas erupções ocorrem sem sinais evidentes de bloqueio.
A investigação, baseada na análise de 14 anos de dados sobre emissões gasosas, mostra que a chegada de novo magma às zonas profundas do vulcão desencadeia um processo que pode obstruir parte dos canais subterrâneos por onde circulam os gases.
Segundo os investigadores, à medida que os gases libertados pelo magma sobem em direção à superfície, entram em contacto com a água existente na lagoa da cratera. Essa interação favorece a formação de minerais que se vão depositando nas fraturas e poros das rochas, reduzindo gradualmente a permeabilidade dessas vias de escape.
No entanto, enquanto alguns desses canais ficam bloqueados, outros permanecem abertos e continuam a libertar gases para a atmosfera. Esta situação pode criar uma falsa sensação de estabilidade, uma vez que a atividade gasosa continua visível apesar de a pressão estar a aumentar no interior do sistema vulcânico.
Os autores explicam que estes bloqueios parciais dificultam a saída dos gases em determinadas zonas, permitindo que a pressão se acumule até atingir um ponto em que pode desencadear uma erupção.
O estudo sugere que acompanhar a evolução dos padrões de emissão de gases poderá ajudar os cientistas a identificar alterações no comportamento do vulcão antes de uma fase de maior perigosidade.
Os investigadores consideram que uma melhor compreensão da dinâmica dos sistemas subterrâneos de circulação de gases poderá contribuir para aperfeiçoar os métodos de monitorização vulcânica e melhorar a capacidade de antecipar erupções, reduzindo os riscos para as populações e para as equipas que trabalham em áreas vulcânicas ativas.
O Whakaari, também conhecido como White Island, é um dos vulcões mais ativos da Nova Zelândia e tem sido alvo de intensa investigação científica, sobretudo após a erupção de dezembro de 2019, que provocou a morte de 22 pessoas que visitavam a ilha.









