Um estudo, desenvolvido por investigadores do CENIMAT/i3N da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade NOVA de Lisboa | NOVA FCT, em colaboração com parceiros de universidades internacionais e publicado na revista Nature Communications, traça o caminho para garantir um acesso seguro e resiliente aos materiais avançados que estão no centro da inovação tecnológica europeia.
Os materiais avançados são substâncias complexas desenvolvidas através da transformação estratégica de matérias-primas, originando novos materiais com propriedades inovadoras que permitem avanços significativos em tecnologias emergentes como baterias, eletrónica, semicondutores e painéis fotovoltaicos.
Contudo, o estudo indica que muitos destes materiais dependem de matérias-primas com cadeias de abastecimento vulneráveis, dominadas por uma única fonte, como elementos de terras raras da China, o cobalto da República Democrática do Congo ou o lítio do Chile.
Num contexto de crescente instabilidade nas cadeias de abastecimento globais, marcado por tensões geopolíticas e guerras comerciais, a Europa precisa de garantir que as tecnologias de próxima geração – vitais para setores como a energia, saúde e indústria – sejam construídas com materiais aos quais teremos acesso seguro.
A solução proposta é um novo método para identificar quais os materiais avançados que oferecem um desempenho de última geração e que, simultaneamente, têm origem na Europa.
Os investigadores autores desenvolveram um “índice de autossuficiência” (self-reliance index) para medir o grau de independência europeia, não apenas para elementos isolados, mas para qualquer combinação de elementos e até para dispositivos completos.
Ao cruzar este índice com dados de desempenho de uma ampla gama de materiais avançados — incluindo condutores, semicondutores, dielétricos, elétrodos para baterias e camadas fotovoltaicas — os resultados revelam que os materiais de alto desempenho baseados em elementos importados têm, em quase todos os casos, alternativas de origem europeia com desempenho comparável.
Com base nesta descoberta, os investigadores propõem a criação da categoria “materiais avançados estratégicos”, definida como materiais que combinam elevado desempenho tecnológico com a utilização de matérias-primas disponíveis localmente.
Estas conclusões serão fundamentais para a legislação europeia, como o futuro Advanced Materials Act, e para programas de financiamento como o Horizon Europe. Se anteriormente a seleção de materiais se centrava sobretudo no desempenho máximo, a sua identificação deverá agora integrar também critérios como a segurança do abastecimento, a soberania tecnológica e a resiliência económica.
“A necessidade de um acesso seguro aos nossos materiais avançados é clara. O nosso estudo fornece as ferramentas de decisão necessárias para que investigadores, indústria e decisores políticos baseiem as futuras tecnologias europeias em alicerces materiais seguros. O nosso objetivo é contribuir para fortalecer a resiliência das cadeias de abastecimento e promover a soberania tecnológica europeia”, afirma o investigador Adam Kelly, do CENIMAT|i3N da NOVA FCT.









