Esta segunda-feira, o governo norte-americano anunciou a redução das proteções legais conferidas ao tetraz-das-artemísias (Centrocercus urophasianus) em oito estados para abrir mais terrenos federais à exploração energética e mineral.
Em comunicado, o Gabinete de Gestão do Território, afeto ao Departamento da Administração Interna, informa que o plano apresentado, na verdade, reforça a proteção dessa ave, classificada como “Vulnerável” na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza e com uma tendência populacional em queda.
Bill Groffy, diretor-interno dessa mesma entidade estatal, refere, em nota, que “estamos a fortalecer a segurança energética americana, ao mesmo tempo que asseguramos que o tetraz-das-artemísias continua a prosperar”.
Nos Estados Unidos da América (EUA), a ave ocorre apenas nas paisagens arbustivas estepárias do interior do noroeste do país, com as maiores populações nos estados do Wyoming, Idaho, Montana e Nevada. Também pode ser encontrada, embora em menor abundância, no Oregon, Utah, Dakotas do Norte e do Sul, e Colorado.
A decisão anunciada pelo governo norte-americano incide sobre todos esses estados, à exceção do Oregon e do Colorado, segundo a informação avançada, e inclui também a Califórnia.
Embora não esteja listado na Lei das Espécies Ameaçadas dos EUA (o “Endangered Species Act”, no inglês original), o tetraz-das-artemísias foi considerado como potencial candidato, mas em 2015 a autoridade nacional de pesca e vida selvagem decidiu que não havia razão para incluí-lo.
A decisão agora conhecida acabará com um sistema de alerta anual que tem como objetivo identificar precocemente declínios nas populações locais de tetrazes para ser possível, se for preciso, atuar prontamente, bem como removerá as proteções legais em mais de 16 mil quilómetros quadrados de habitat considerado ótimo para a espécie no estado do Utah.
Em reação, a organização ambientalista Center for Biological Diversity (CBD) lança duras críticas, alertando que a decisão poderá acelerar a extinção da ave.
“As ações irresponsáveis de Trump acelerarão a extinção do tetraz-das-artemísias ao permitirem a extração irrestrita de combustíveis fósseis e outros tipos de desenvolvimento destrutivo ao longo de dezenas de milhares de quilómetros quadrados de terras públicas”, diz, em comunicado, Randi Spivak, da CBD.
A organização lamenta que todos os presidentes desde Barack Obama, inclusivamente, tenham prejudicado o tetraz-das-artemísias e os seus habitats e garante que não permitirá que a ave desapareça sem dar luta.
“Veremos Trump em tribunal”, assegura Spivak.









