Com o aumento da população em mais de 2 mil milhões de pessoas previsto até 2050, a expansão urbana será uma realidade. Estima-se que nas próximas três décadas, serão ocupados 1,53 milhões de quilómetros quadrados, o que irá pôr em risco a sobrevivência de 855 espécies.
O estudo identificou hotspots que se prevê terem impactos particularmente grandes nos habitats das espécies, especialmente as endémicas, devido ao desenvolvimento urbano. As cidades que representam a maior ameaça estão localizadas na América do Sul, na África Subsaariana, no Sudeste Asiático e na Mesoamérica. O lagarto Calotes liocephalus, a pequena ave Ergaticus versicolor e o primata Nycticebus javanicus, são alguns dos exemplos apontados pelos cientistas.
“Um dos objetivos do estudo foi identificar as espécies, não só ameaçadas, mas especificamente ameaçadas pelo desenvolvimento urbano”, explica Rohan Simkin, autor principal do artigo. “Acho que agora as pessoas nas ruas estão muito cientes da crise climática, mas não tenho certeza se estão cientes da crise de biodiversidade.”
Existe uma saída: segundo os investigadores, as cidades podem ser parte da solução, caso seja aplicada uma boa gestão. Como grande parte destas áreas urbanas ainda não existe, deve-se antecipar estes cuidados. Os governos devem planear o crescimento urbano das cidades, aplicando políticas fundamentadas na ciência e que garantam a proteção das espécies, combatendo a perda de biodiversidade.
O documento disponibiliza a quantidade e especifica as espécies que estão sob ameaça face a este risco, identificando que áreas urbanas devem ser protegidas.
“Podemos construir cidades de forma diferente da que construímos no passado. Elas podem ser boas para o planeta; podem salvar espécies; podem ser centros de biodiversidade e guardar terras para a natureza”, afirma a autora Karen C. Seto.
O estudo foi publicado na Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).









