Uma missão científica internacional em águas tropicais ao largo da costa do Brasil, no Atlântico Sul, descobriu 31 novas espécies marinhas que vivem entre a camada mais iluminada e o leito oceânico, em apenas duas semanas.
Dezenas de cientistas dos Estados Unidos da América, do Brasil, da Austrália e do Japão viajaram a bordo do navio de investigação “Falkor (too)”, operado pelo Schmidt Ocean Institute, para desvendarem os segredos do que descrevem como “o maior e menos explorado ecossistema habitável da Terra”.

Identificar e descrever espécies novas é um trabalho árduo, que pode levar décadas a confirmar novas formas de vida, mas esta equipa conseguiu fazê-lo em poucos dias, algo que atribui à combinação entre tecnologia de ponta não invasiva, como sistemas avançados de imagem, e análises genéticas.
Da lista de novas espécies constam um tipo de minúsculos crustáceos conhecidos como anfípodes, um verme ondulante e semitransparente do género Tomopteris e nove medusas. Além disso, foram também encontrados sete novos sifonóforos, organismos coloniais constituídos por diversos animais e que são aparentados da caravela-portuguesa e dos corais, e sete ctenóforos, que parecem medusas sem tentáculos urticantes e que emitem brilhos iridescentes pelo movimento dos cílios que usam para se movimentarem.
Ainda, foram descobertos quatro novos tunicados que vivem em casas feitas de muco e que estão mais perto dos humanos do que os invertebrados, e, por fim, dois gigantes Rhizaria, organismos unicelulares visíveis à vista desarmada.
“O maior habitat da Terra, a zona das águas intermédias, está repleto de animais incríveis que só agora começamos a compreender”, diz Karen Osborn, do Smithsonian National Museum of Natural History e cientista-chefe da expedição.
“Continuo a fascinar-me com a fantástica variedade de soluções que desenvolveram para sobreviver neste ambiente formidável, e isso leva-me a continuar a fazer perguntas sobre o nosso oceano”, salienta.
Osborn diz que a equipa encontrou uma diversidade e uma abundância de vida muito maiores do que esperava, incluindo uma lula transparente e um polvo do mar profundo da espécie Haliphron atlanticus, que raramente é avistado vivo no habitat natural, a alimentar-se de uma medusa vermelha a 800 metros de profundidade.

Um dos marcos assinalados desta expedição foi também o uso de um microscópio confocal, batizado com o nome “Squid” (“lula” em inglês), que usam feixes de luz para examinar as estruturas internas de organismos.
“Isto abre uma nova parte à investigação sobre a fisiologia do mar profundo, ligando arquiteturas celulares às funções do organismo. Agora podemos testemunhar em tempo real os processos internos destes organismos extremos, adaptados para suportar uma pressão e escuridão imensas”, afirma Manu Prakash, da Universidade de Stanford, que participou na expedição.
















