Explosão de insetos após erradicação de roedores transforma ecossistema da Ilha Lord Howe, na Austrália

A investigação analisou os efeitos da eliminação de ratos-pretos e ratos domésticos, concluída em 2019 no âmbito do maior programa de erradicação de roedores realizado numa ilha habitada.

Redação

A erradicação de roedores invasores na Ilha Lord Howe, na Austrália, está a provocar uma recuperação significativa das populações de insetos e outros invertebrados, segundo um novo estudo liderado por investigadores da University of Sydney. Os cientistas registaram um aumento acentuado na abundância destes pequenos animais, considerados essenciais para o equilíbrio ecológico da ilha.

A investigação analisou os efeitos da eliminação de ratos-pretos e ratos domésticos, concluída em 2019 no âmbito do maior programa de erradicação de roedores realizado numa ilha habitada. O estudo foi conduzido por investigadores da universidade australiana, em colaboração com o Departamento de Alterações Climáticas, Energia, Ambiente e Água do estado de Nova Gales do Sul.

Os resultados mostram que o número total de invertebrados aumentou significativamente após a remoção dos roedores, sobretudo entre espécies de maior dimensão, mais vulneráveis à predação.

“Os invertebrados são frequentemente ignorados, mas são fundamentais para o funcionamento dos ecossistemas”, afirma Maxim Adams, doutorando do laboratório de Ecologia Molecular, Evolução e Filogenómica. “Polinizam plantas, reciclam nutrientes, decompõem matéria orgânica e servem de alimento a aves, répteis e outros animais nativos.”

Para o estudo, os investigadores recolheram mais de 24 mil espécimes em 20 zonas florestais da ilha, comparando amostras obtidas antes da erradicação dos roedores, entre 2016 e 2017, com novas recolhas realizadas em 2023 e 2024.

Segundo os autores, os maiores aumentos ocorreram em invertebrados com mais de 13 milímetros de comprimento, o que reforça a ideia de que ratos e ratazanas exerceram forte pressão predatória durante mais de um século.

A recuperação destas populações poderá já estar a beneficiar outras espécies nativas. Estudos anteriores tinham demonstrado um aumento significativo de aves marinhas e aves terrestres autóctones, incluindo a galinha-da-madeira da Ilha Lord Howe.

Nathan Lo, professor e responsável pelo laboratório MEEP, sublinha que os roedores invasores alteraram profundamente o equilíbrio ecológico local. “Os roedores não afetaram apenas algumas espécies emblemáticas. Remodelaram relações ecológicas em toda a ilha. O que estamos agora a observar é um ecossistema a reorganizar-se depois de removida essa pressão”, explicou.

Apesar dos resultados positivos, os investigadores alertam que a recuperação ecológica é um processo complexo e demorado. Embora a abundância total de invertebrados tenha aumentado, algumas espécies registaram declínios e as variações sazonais continuam a ser significativas.

Os cientistas pretendem agora avançar com análises genéticas para identificar quais as espécies nativas e introduzidas que mais beneficiaram da erradicação dos roedores, bem como estudar os impactos a longo prazo nos nutrientes do solo e nos processos de decomposição.

O estudo foi publicado na revista científica Biological Invasions.

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