Falta de água continua a afetar “desproporcionadamente” mulheres e raparigas em todo o mundo

O alerta é feito num relatório divulgado pela UNESCO, no qual se destaca que são as mulheres e as raparigas quem é responsável pela obtenção de água em mais de 70% das famílias que vivem em zonas sem saneamento básico.

Redação

As mulheres e as raparigas continuam a ser quem mais sofre a nível global com a falta de água, impedindo o desenvolvimento sustentável dos países mais pobres.

O alerta é feito num relatório divulgado esta quinta-feira pela UNESCO, a agência das Nações Unidas dedicada à Educação, Ciência e Cultura. O documento destaca que as mulheres e as raparigas são afetadas “desproporcionadamente”, comparando com os homens, embora sejam elas quem é responsável pela obtenção de água em mais de 70% das famílias que vivem em zonas sem saneamento básico.

Além disso, os autores estimam que, em todo o mundo e no seu conjunto, mulheres e raparigas passem um total de 250 milhões de horas por dia a obter água, frequentemente percorrendo vários quilómetros, enfrentando perigos, como violações e agressões, e exposição a condições ambientais severas, como altas temperaturas. Além disso, são horas que podiam ser devotadas à educação, por exemplo.

A falta de água para fins de higiene levou a que cerca de 10 milhões de raparigas adolescentes, entre os 15 e os 19 anos, em 41 países faltassem à escola, ao trabalho e a atividades sociais entre 2016 e 2022.

Apesar de serem elementos fundamentais do fornecimento de água para as suas famílias e de anos de alguns progressos em termos de políticas de igualdade e inclusão, as mulheres continuam a estar sub-representadas na gestão e nas tomadas de decisão sobre a água.

Dados avançados pela UNESCO indicam que menos de um em cinco trabalhadores em 64 empresas públicas de gestão de água em 28 países de baixos e médios rendimentos são mulheres. Além disso, o salário que recebem é inferior ao dos homens.

O relatório calcula que 2,1 mil milhões de pessoas em todo o mundo continuem sem ter acesso a água potável.

A crise climática está também a ter impactos nas desigualdades. Estima-se que o aumento de um grau Celsius reduz em 34% os rendimentos de famílias encabeçadas por mulheres comparativamente a famílias encabeçadas por homens. Ao mesmo tempo, esse aumento de temperatura faz com as horas de trabalho semanais das mulheres aumentem, em média, 55 minutos relativamente às dos homens.

“Assegurar a participação das mulheres na gestão e governança da água é um fator fundamental para o progresso e desenvolvimento sustentável”, salienta Khaled El-Enany, diretor-geral da UNESCO.

“Temos de intensificar os esforços para garantir o acesso das mulheres e raparigas à água. Não se trata apenas de um direito fundamental: quando as mulheres têm o mesmo direito à água, todos beneficiam”, considera o responsável.

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