Falta de diversidade genética está a pressionar ainda mais os elefantes-asiáticos

Com uma tendência populacional de declínio, estes mamíferos têm como principais ameaças a degradação e perda das florestas nas quais vivem, conflitos com humanos pelos danos que causam em culturas, a caça furtiva e o tráfico de vida selvagem, especialmente por causa do seu marfim.

Filipe Pimentel Rações

Os elefantes-asiáticos (Elephas maximus) podem ser encontrados, em estado selvagem, no sul e sudeste da Ásia, considerados uma espécie “em perigo” na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza.

Com uma tendência populacional de declínio, estes mamíferos têm como principais ameaças a degradação e perda das florestas nas quais vivem, conflitos com humanos pelos danos que causam em culturas, a caça furtiva e o tráfico de vida selvagem, especialmente por causa do seu marfim.

Todas pressões estão a fazer com que as populações que sobrevivem vão sendo cada vez mais pequenas e estando cada vez mais isoladas. Isso aumenta o risco de cruzamentos entre indivíduos com grau de parentesco muito próximo (ou endogamia), levando à redução de diversidade genética e, por isso, tornando as populações menos resiliências, por exemplo, a doenças ou a mudanças ambientais, como as causas pelas alterações climáticas.

Uma equipa internacional de cientistas quis perceber o nível de ameaça que a endogamia representa para essa espécie que está a ser empurrada para a extinção.

Para isso, analisaram a totalidade do genoma de 81 elefantes-asiáticos de cada uma das quatro subespécies atualmente reconhecidas: Elephas maximus borneensis (do Bornéu), Elephas maximus indicus (da Índia), Elephas maximus maximus (do Sri Lanka) e Elephas maximus sumatranus (de Sumatra). Os elefantes de Sumatra estão classificados como “criticamente em perigo”, enquanto as restantes três subespécies estão na categoria “em perigo”.

Os investigadores perceberam que o que dizem ser a “saúde genética” varia significativamente entre as quatro subespécies. Os elefantes do Bornéu são os que apresentam os níveis mais baixos de saúde genética, com 65% do ADN analisado a apresentar sinais de endogamia.

Os elefantes de Sumatra apresentam uma taxa de endogamia de cerca de 35%, os da Índia 11% e os do Sri Lanka 10%.

A equipa considera que ter uma ideia mais clara da diversidade genética das subespécies e, consequentemente, da espécie é fundamental para saber quais as populações mais vulneráveis e onde é preciso atuar com maior urgência.

“Uma descoberta surpreende é que, apesar de grandes diferenças em termos de endogamia, as quatro subespécies ainda partilham uma grande porção da sua diversidade genética original”, diz Jeroen Kappelhof, da Universidade de Wageningen (Países Baixos) e primeiro autor deste estudo.

Provavelmente, explica, isso deve-se ao facto de as subespécies não terem divergido umas das outras há muito tempo, em termos evolutivos.

“As diferenças que vemos surgiram sobretudo porque algumas populações perderam mais variedade genética do que outras. Isto abre perspetivas para a conservação, uma vez que o resgate genético pode ser uma opção para populações com baixa diversidade genética”, acrescenta.

Assim, a introdução de animais de outras populações para diversificação o material genético disponível pode ser uma possível solução, mas os cientistas dizem que, antes de qualquer intervenção desse género, é preciso mais trabalho científico para garantir que as populações não acabam por perder adaptações genéticas locais ao ambiente.

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