O filho do famoso leão Cecil, símbolo do Zimbábue, foi morto na passada quinta-feira (20 de Julho) por caçadores. O leão Xanda, de 6 anos, morreu fora do Parque Nacional Hwange, no Noroeste do Zimbábue, perto do local onde o seu pai também foi abatido, em 2015.
Xanda foi morto por um grupo de caçadores liderados por Richard Cooke, da RC Safaris que organizou a expedição cobrando dezenas de milhares de dólares a cada participante. Foi este caçador profissional quem identificou o animal graças a uma coleira electrónica que lhe motorizava os movimentos e foi graças a ela que percebeu que tinham abatido um animal que vivia no Parque Nacional, uma área onde os felinos não podem ser caçados. Mas a verdade é que Cooke e os seus clientes estavam a agir dentro da lei quando mataram o leão.
“Sabíamos que o Xanda e a sua alcateia andavam a passar muito tempo fora do parque nos últimos seis meses, mas não havia nada que pudéssemos fazer”, disse ao The Telegraph Andrew Loveridge, do departamento de zoologia da Universidade de Oxford e que tem trabalhado com o Parque Natural de Hwange. “Richard Cooke agiu com ética e devolveu o colar, comunicando o ocorrido. A caçada era legal e Xanda tinha mais de 6 anos, de modo que tudo está dentro dos regulamentos estipulados”, referiu ao mesmo jornal.
No Facebook do Lions of Hwange National Park foram publicadas fotografias de Xanda e a seguinte frase: “Não podemos acreditar que o filho de Cecil teve o mesmo terrível destino do pai”. Na mesma publicação é referido ainda que Richard Cooke também foi responsável pela morte do irmão de Xanda em 2015, então com apenas 4 anos.
Cecil, o leão-símbolo do Zimbábue, foi morto em circunstâncias semelhantes, em Julho de 2015 pelo dentista norte-americano Walter Palmer, causando comoção e protestos a nível mundial. Palmer terá pago 50 mil dólares matar o leão de 13 anos de idade. O animal terá sido atraído para fora do Parque Natural de Hwange e atingido com flechas. Depois de ferido, foi perseguido durante dois dias e abatido a tiro.
Segundo os especialistas, a morte de Xanda deixa os seus filhos vulneráveis. Como Dr. Luke Hunter, presidente do grupo Panthera, referiu ao HuffPost, “o papel do leão macho na sociedade é realmente proporcionar segurança”. Os leões machos protegem as fêmeas e os filhotes de várias ameaças. Se um macho estranho assumir o controle, a primeira coisa que ele faz é matar os filhotes do macho anterior para abrir caminho para sua própria prole. E embora esse processo ocorra muitas vezes por causas naturais, a caça “acelera” o processo e leva a jovens e machos fortes a serem mortos em primeiro lugar, “em vez de animais mais velhos e fracos que seriam expulsos por mecanismos naturais”, disse Hunter. Para o responsável por esta organização especializada na protecção de felinos, permitir a caça na fronteira de áreas protegidas, como parques naturais, é sempre “problemático”. Segundo este especialista, deveria haver uma “zona tampão” fora dos limites do parque, para garantir que estas áreas – com habitat ideal para animais como leões – sejam o mais protegidas possível.
A morte de Cecil desencadeou uma onda de indignação contra a caça do leão, e várias companhias de aviação começaram a recusar transportar carcaças de grandes animais como leões e elefantes para outros países (em particular para os Estados Unidos). Mas a verdade é que a caça é uma indústria muito lucrativa em países como o Zimbábue e o problema continua a aumentar, com cerca de 1,5 mil felinos mortos a cada ano, três vezes mais de há uma década. Os leões já perderam 90% de sua população no último século: apenas 20 mil exemplares continuam vivos.
Foto: Bert Duplessis (via Facebook do Lions of Hwange National Park)









