O kakapo (Strigops habroptilus) é uma ave terrestre nativa da Nova Zelândia, considerado o papagaio mais pesado do mundo (os machos podem chegar aos quatro quilos), não é capaz de voar e tem uma plumagem esverdeada cor de musgo que lhes confere camuflagem por entre a vegetação.
Está gravemente em risco de extinção, classificado como “Criticamente em Perigo” na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza, estimando-se que existam pouco mais de 200 indivíduos a viver na Natureza. A espécie está agora em crescimento, mas ainda muito longe de estar fora de perigo. No último século, os kakapos viram a sua população diminuir mais de 80%, especialmente devido à predação por gatos, mustelídeos e ratos, a um baixo sucesso de reprodução e a doenças.
Precisamente por serem poucos, de hábitos noturnos e viverem em três pequenas ilhas remotas na costa sul da Nova Zelândia, ver um kakapo no seu habitat natural é algo que a maioria das pessoas nunca conseguirá. Contudo, e também para sensibilizar a população mundial para a importância de conservar uma ave icónica e em risco de desaparecer, o governo neozelandês instalou uma câmara no ninho de um kakapo na ilha Whenua Hou.
A câmara, que transmite permanentemente e emite as imagens para todo o mundo através de um canal no YouTube, filma trechos da vida de Rakiura, uma fêmea com 24 anos de idade, ainda relativamente jovem, pois os kakapos podem viver mais de 60 anos, com alguns casos registados de animais que chegaram aos 90.
O vídeo em direto começou em janeiro deste ano, lançado pelo Departamento de Conservação do governo da Nova Zelândia, com o objetivo de acompanhar a primeira época de reprodução registada desde 2022. E tudo por causa de uma abundância de frutos das árvores rimu (Dacrydium cupressinum), nativas desse país da Oceânia, que são o principal alimento da ave. A reprodução dos kakapos coincide com a grande abundância dos frutos de rimu, pelo que só acontece a cada dois ou quatro anos, o que faz com que a recuperação da população dessas aves seja lenta e muito complicada.
No ninho que está a ser filmado, escavado no solo por entre as raízes de uma árvore, a fêmea adulta Rakiura pôs dois ovos que deram origem a duas crias, uma nascida a 24 de fevereiro, com o nome de código Vori-A1-2026, e outra nascida a 2 de março, de nome Nora-A2-2026. Contudo, os conservacionistas decidiram transferir a cria Vori para uma outra fêmea, que servirá de “mãe adotiva”, para que Rakiura se possa focar na outra cria e, assim, aumentar as hipóteses de sucesso da pequena ave. A cria Nora aparece também nas imagens, ainda uma bola felpuda e dependente dos cuidados da mãe.
Diz o Departamento de Conservação da Nova Zelândia que o kakapo é “uma das espécies mais singulares” do país e que o vídeo em direto serve para que todos no mundo possam ver um kakapo em regime selvagem e também para ajudar cientistas a aprenderem mais sobre os comportamentos reprodutivos da espécie.
“Quantas mais pessoas se preocuparem, melhor será o futuro do kakapo”, afirma a entidade.
Desde que começou no início do ano, já mais de 100 mil pessoas assistiram à transmissão e estima-se que o número de espectadores nunca seja inferior a uma centena.









