Em 2024, o financiamento climático enviado pelos países mais ricos para os países mais pobres foi de 136,7 mil milhões de dólares, revela análise da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).
De acordo com um relatório divulgado esta semana, esse é o terceiro ano consecutivo em que o financiamento climático ultrapassou a meta dos 100 mil milhões por ano, acordada em 2009 no âmbito da Convenção das Nações Unidas para as Alterações Climáticas.
Supostamente, a meta deveria ter sido alcançada até 2020, pelo que foi adiada para 2025. Só em 2022 é que os países mais desenvolvidos lá chegaram, ano em que o limite foi excedido pela primeira vez, com 115,9 mil milhões de dólares. Em 2023, o financiamento subiu para os 132,8 mil milhões.
Para o secretário-geral da OCDE, Mathias Cormann, o facto de a meta ter sido ultrapassa pelo terceiro ano consecutivo mostra um “claro compromisso para com o apoio das economias em desenvolvimento na adaptação e mitigação das alterações climáticas”.
Em 2024, na cimeira COP29, no Azerbaijão, voltou a alcançar-se um novo compromisso: aumentar o nível de financiamento climático aos países menos desenvolvidos para um mínimo de 300 mil milhões de dólares por anos, meta que deverá ser concretizada até 2035.
O relatório da OCDE mostra, contudo, que grande parte do financiamento climático está a ser direcionado para países de médios rendimentos, ao passo que o apoio aos países mais pobres em 2023 e 2024 ficou abaixo dos 11,1 mil milhões de dólares de 2022.
Apesar do aumento do financiamento climático, algumas vozes avisam que esses valores, mesmo a nova meta dos 300 mil milhões, estão muito aquém do que realmente é necessário para fechar o fosso de financiamento de biliões que existe entre países ricos e países pobres no que toca à capacidade para fazerem face às alterações climáticas e para reduzirem os seus contributos para essa crise planetária.
Num estudo publicado em 2025 na revista ‘npj Climate Action’, diz-se que os 300 mil milhões por ano são uma quantidade “insuficiente”, e estima-se, com base em números da Climate Policy Initiative, o investimento global necessário para mitigar as alterações climáticas excede os 8,4 biliões de dólares por ano até 2030.









