Num contexto de crescente exigência em matéria de transição energética, a Floene considera que as redes de distribuição de gás “têm um papel essencial na concretização dos objetivos nacionais de descarbonização, contribuindo simultaneamente para a segurança do abastecimento, a flexibilidade do sistema energético e a sua resiliência face a situações de instabilidade climática ou geopolítica”.
A posição da Floene, revela a empresa em comunicado, assenta em cinco eixos fundamentais de análise: o papel das redes de distribuição de gás no futuro do sistema energético; a avaliação das metodologias de previsão da procura; a evolução da base de ativos regulados; os benefícios operacionais associados aos investimentos realizados; e os custos de exploração que suportam as propostas de investimento e a respetiva comparabilidade.
A Floene sublinha que a infraestrutura de gás existente “constitui um ativo estratégico para o país”. Trata-se de uma rede “já significativamente amortizada, isto é, uma infraestrutura que já recuperou grande parte do investimento feito ao longo dos anos, tecnicamente preparada para transportar gases renováveis e que permite descarbonizar consumos com um investimento adicional substancialmente inferior ao necessário para uma substituição integral por soluções exclusivamente elétricas”.
Neste contexto, a coexistência entre os sistemas elétrico e de gás “representa a resposta mais prudente e economicamente eficiente, sobretudo num cenário de crescimento previsível da procura energética”. Em termos simples, utilizar simultaneamente as redes de eletricidade e de gás “permite responder às necessidades energéticas do país de forma mais segura e com menores custos”. A mobilização de todos os vetores energéticos disponíveis “é essencial para reforçar a segurança do abastecimento e a soberania energética nacional”.
Consumo estável e investimentos prudentes
Relativamente às perspetivas de consumo, a Floene considera não existir evidência que suporte uma redução significativa da procura de gás. Mesmo num cenário conservador, estima-se que a diminuição do consumo até 2040 seja inferior a 2%, valor que poderá inclusive sobrestimar a redução efetiva. A Floene alerta ainda que assumir uma quebra do consumo sem fundamentos sólidos 2pode levar a decisões erradas sobre os investimentos necessários na rede”.
Os investimentos propostos pelos operadores de rede de distribuição do Grupo Floene “refletem uma abordagem prudente, incremental e centrada na melhor utilização da rede já existente. Não correspondem a uma lógica expansionista, apesar de persistirem 68 concelhos sem acesso ao gás nas áreas de concessão do grupo. A prioridade está na manutenção e adaptação de uma infraestrutura consolidada, assegurando simultaneamente a coesão territorial”.
A empresa destaca ainda que a totalidade dos municípios atualmente sem rede de gás se encontra nas suas áreas de concessão, “conferindo aos investimentos previstos uma dimensão relevante de equidade territorial que não se verifica noutras zonas do país”. Estes investimentos “apresentam igualmente alguns dos menores custos unitários de descarbonização, uma vez que permitem substituir combustíveis mais poluentes, como o butano, o propano ou o gasóleo, aproveitando infraestruturas já existentes e preparadas para receber gases renováveis”.
Defender os consumidores
A Floene considera “fundamental garantir que os consumidores domésticos possam beneficiar dos gases renováveis, assegurando dessa forma a sustentabilidade económica e a viabilidade das redes de distribuição”. A empresa defende igualmente que a discussão relativa à partilha dos custos de ligação de novas unidades de produção de biometano “deve acompanhar o desenvolvimento do mercado e as decisões de investimento necessárias ao setor”.
A Floene alerta ainda para os efeitos adversos de uma eventual limitação excessiva do investimento. “Tal opção poderá conduzir ao aumento dos custos suportados pelos consumidores de gás e pelos consumidores de eletricidade, devido às necessidades acrescidas de eletrificação dos consumos atualmente assegurados pela rede de gás”. Por essa razão, a Floene considera que a análise económica deve centrar-se na procura das soluções mais eficientes para a descarbonização, “valorizando o contributo de uma infraestrutura de gás preparada para integrar gases renováveis e complementar o sistema elétrico”.
O investimento em desenvolvimento e expansão apresentado pelos operadores do Grupo Floene corresponde ao nível mínimo necessário para manter a rede a funcionar de forma eficiente, garantir os recursos indispensáveis à sua operação e cumprir as obrigações legais associadas ao serviço prestado aos consumidores.
Perante estratégias distintas e níveis de investimento diferenciados entre operadores, a Floene entende que “não é adequado aplicar recomendações uniformes de redução do investimento, defendendo antes que as decisões sobre investimento tenham em conta a realidade de cada rede e não uma regra igual para todos”.








