O aumento da extração de recursos nas florestas tropicais do planeta está a empurrar esses biomas em direção ao colapso. Se nada for feito para inverter essa tendência, esses lugares, entre os mais biodiversos do mundo, desaparecerão.
O aviso é feito num relatório divulgado esta semana pela organização norueguesa Rainforest Foundation Norway, no qual é dito que são urgentemente necessárias mudanças na forma como as matérias-primas, como minerais para fazer carros elétricos, madeira, alimentos e fibras para a moda “descartável”, são extraídas, produzidas e consumidas. Caso contrário, as florestas tropicais continuarão a ser substituídas por plantações e locais de exploração mineral, uma trajetória que os especialistas descrevem como “catastrófica”.
“A desflorestação acontece onde há dinheiro a ganhar, seja na agricultura, em produtos de alta rotatividade ou em minerais para a transição energética”, explica Toerris Jaeger, diretor da organização não-governamental de Ambiente.
“A menos que os governos alterem as regras, novas pressões somar-se-ão às que já existem. Será mais do que as florestas tropicais conseguem suportar”, avisa o responsável.
O relatório aponta para o que parece um dilema fundamental: a conjugação da transição para novas fontes de energia com a contínua dependência dos combustíveis fósseis é um dos maiores fatores de pressão que se faz sentir com cada vez mais força sobre as florestas tropicais.
“Destruir florestas tropicais para extrair minerais para as baterias de carros elétricos ou para plantar culturas para biocombustíveis não são os caminhos que nos darão os resultados que pretendemos no âmbito da transição para lá dos combustíveis fósseis”, diz Jaeger, que sugere que tal seria estar a trocar um mal por outro.
“Isso exacerbará, e não resolverá, as crises climática e da natureza”, aponta.
Embora a análise coloque o mundo atualmente numa trajetória de colapso das florestas tropicais, os especialistas acreditam que nem tudo está, para já, totalmente perdido. Por exemplo, a lucratividade da desflorestação em várias instâncias só existe devido a apoios concedidos pelos governos, indicam os relatores, ou porque as leis que deveriam proteger as florestas não são devidamente aplicadas.
Como tal, defendem que governos, empresas e consumidores têm todos um papel a desempenhar na proteção das florestas tropicais.
“Na próxima década, temos de ver iniciativas profundas e transversais em todos os países e setores. Precisamos de transferir capital de indústrias que destroem as florestas para iniciativas que promovam uma transição justa e com baixo consumo de recursos, dentro dos limites planetários”, argumenta Jaeger. O responsável considera que isso é até já atualmente possível com os instrumentos que temos hoje à nossa disposição. Basta vontade.









