Fósseis preservados em âmbar revelam alguns segredos sobre a evolução das formigas

Os fósseis foram encontrados no sul da província de Saskatchewan e têm entre 56 e 72 milhões de anos, um preservando um corpo quase inteiro do antepassado das formigas modernas e outro parte da cabeça de um indivíduo.

Redação

Dois minúsculos fósseis aprisionados em resina fossilizada, o âmbar, encontrados no Canadá estão a ajudar os cientistas a compreenderem melhor como é que as formigas dos dias de hoje evoluíram.

Os fósseis foram encontrados no sul da província de Saskatchewan e têm perto de 67 milhões de anos, um preservando um corpo quase inteiro do antepassado das formigas modernas e outro parte da cabeça de um indivíduo.

Um grupo de investigadores da Universidade de Regina (Canadá) e do Instituto de Tecnologia de Nova Jérsia (Estados Unidos da América) quis perceber como é que esses vestígios do passado distante, de formigas antigas que terão vivido por volta da altura da extinção dos dinossauros, ajudam a aprofundar o conhecimento sobre a evolução dos pequenos insetos.

Depois de cobrirem os fósseis com resina epóxi e de os polirem para expor os animais no interior, os investigadores usaram tecnologias de imagem para criar modelos em três dimensões da anatomia dessas formigas com milhões de anos.

Fóssil e modelos em três dimensões de corpo de formiga da subfamília Aneuretinae. Foto: Loewen et al., ‘Insect Systematics and Diversity’, 2026.

Ao compararem essas imagens com o que se sabe sobre a morfologia das formigas modernas, a equipa conseguiu correspondê-las a subfamílias que ainda existem hoje (Aneuretinae e Pseudomyrmecinae), encontradas sobretudo no hemisfério sul do planeta. Contudo, e como indicam os fósseis, em tempos foram abundantes no hemisfério norte, incluindo a América do Norte.

Num artigo publicado na revista ‘Insect Systematics and Diversity‘, os cientistas revelam que as análises feitas sugeram que o fóssil parcial da cabeça terá pertencido a uma formiga de um grupo que faziam ninhos no solo há 67 milhões de anos. Contudo, formigas dessa mesma família que viveram mais tarde, depois da extinção dos dinossauros, há cerca de 66 milhões de anos, já viviam em árvores, tal como as espécies do grupo que ainda existem atualmente.

Fóssil e modelos em três dimensões de parte da cabeça de formiga da subfamília Pseudomyrmecinae. Foto: Loewen et al., ‘Insect Systematics and Diversity’, 2026.

De acordo com os investigadores, os dados apontam para uma reorientação na evolução desse grupo de formigas ao longo de milhões de anos, de vidas passados nos solos para existências concentradas no dossel florestal.

“Perceber como elas sobreviveram e se adaptaram após a extinção dos dinossauros não avianos ajuda os cientistas a perceber como surgiram os ecossistemas modernos”, diz Elyssa Loewen, primeira autora do estudo, lembrando que as formigas são “engenheiras dos ecossistemas” com capacidade para moldar profundamente as paisagens. Por isso, entende a investigadora que este trabalho mostra que até mesmo os fósseis mais pequenos podem espoletar grandes descobertas.

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