Fósseis revelam ornitorrincos com dentes que viveram há 25 milhões de anos ao lado de “golfinhos de água doce”

Ao contrário do ornitorrinco moderno, estes animais possuíam molares e pré-molares funcionais, o que lhes permitia alimentar-se de uma maior variedade de presas, incluindo organismos com carapaça.

Redação

Uma descoberta de investigadores da Flinders University está a lançar nova luz sobre a origem do ornitorrinco, um dos animais mais invulgares do mundo. Fósseis com cerca de 25 milhões de anos mostram que os seus antepassados tinham dentes bem desenvolvidos e habitavam ecossistemas aquáticos ricos e diversificados.

Os fósseis foram encontrados numa região remota a leste das Flinders Ranges, na Austrália, e pertencem à espécie extinta Obdurodon insignis. Ao contrário do ornitorrinco moderno, estes animais possuíam molares e pré-molares funcionais, o que lhes permitia alimentar-se de uma maior variedade de presas, incluindo organismos com carapaça.

“Os ornitorrincos são extremamente raros no registo fóssil, por isso é entusiasmante encontrar novos vestígios e compreender melhor a sua evolução”, explica Aaron Camens.

A análise indica que estes antigos ornitorrincos viviam em grandes lagos e rios de fluxo lento, num ambiente muito diferente do interior árido australiano atual. Partilhavam esses habitats com várias espécies, incluindo peixes pulmonares, aves aquáticas e até pequenos “golfinhos de água doce”.

Outro achado relevante foi um osso do membro anterior, que revela que estes animais já tinham uma estrutura semelhante à dos ornitorrincos atuais, sugerindo que nadavam com igual दक्षidade.

Segundo Trevor Worthy, os fósseis mostram que a espécie era muito semelhante ao ornitorrinco moderno, embora ligeiramente maior e com dentes funcionais — uma característica que se perdeu ao longo da evolução.

Atualmente, os ornitorrincos nascem com dentes vestigiais, que desaparecem rapidamente, sendo substituídos por placas córneas usadas para triturar alimento.

A descoberta ajuda a reconstruir um ecossistema antigo e diverso, onde coexistiam mamíferos arborícolas, marsupiais de grande porte, aves e répteis, num ambiente florestal húmido com abundantes cursos de água.

Os investigadores acreditam que estes fósseis são fundamentais para compreender a evolução dos monotremados e mostram como o ornitorrinco moderno resulta de uma longa história de adaptações a diferentes ambientes.

📅 Inscreva-se já: VII Conferência Green Savers — ESG: o superpoder das empresas | 27 de maio, Auditório Carlos Paredes, Lisboa

Partilhe este artigo


Nova Edição

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.