Um fóssil com cerca de 500 milhões de anos, encontrado nos Estados Unidos, pertence a um parente muito antigo das aranhas e de outros artrópodes que se alimentam com pequenas garras, como escorpiões e ácaros, segundo investigadores internacionais.
O fóssil, de corpo mole, foi classificado como uma nova espécie, Megachelicerax cousteaui, e apresenta a cabeça, o corpo e os membros muito bem preservados, incluindo as garras que distinguem os quelicerados modernos — aranhas, ácaros, carrapatos e cavalos-marinhos — de outros grupos de espécies. Os investigadores consideram que esta espécie ajuda a preencher uma lacuna no conhecimento sobre a evolução deste grupo de artrópodes.
Os quelicerados modernos distinguem-se por possuírem um par de garras (quelíceras) na parte frontal do corpo, usadas para se alimentar. Apesar de o registo fóssil destes animais abranger cerca de 500 milhões de anos, os primeiros exemplares encontrados não apresentavam sinais inequívocos destas garras.
O fóssil de Megachelicerax cousteaui foi recuperado na Formação Wheeler, no Deserto Ocidental de Utah, EUA, do período Cambriano, tornando-se num dos quelicerados mais antigos conhecidos. As garras sob o escudo da cabeça indicam que este artrópode primitivo já tinha a capacidade predatória típica dos quelicerados.
Os autores do estudo publicado na revista Nature sugerem que Megachelicerax representa um quelicerado do grupo basal, servindo de elo entre os membros cambrianos sem garras e os quelicerados posteriores com garras. Estes resultados demonstram que os quelicerados predadores já existiam no período Cambriano e ajudam a esclarecer a origem das suas garras.









