- Fóssil de 300 milhões de anos, Pohlsepia mazonensis, não pertence a polvos, mas a um parente do náutilo.
- Reclassificação foi feita através de tecnologia de imagem avançada que revelou estruturas internas.
- A descoberta altera a compreensão sobre a origem dos polvos, que pode ter ocorrido muito mais tarde do que se pensava.
- Estudo também identifica o mais antigo registo de tecidos moles preservados em náutilos.
- A análise ajuda a resolver um enigma na evolução dos cefalópodes.
Um fóssil com cerca de 300 milhões de anos, durante décadas apontado como o mais antigo polvo conhecido, afinal não pertence a esse grupo de animais. A conclusão é de uma equipa internacional de cientistas, que recorreu a tecnologia de imagem avançada para reavaliar o exemplar.
Conhecido como Pohlsepia mazonensis e até incluído no Guinness World Records como o “polvo mais antigo do mundo”, o fóssil foi agora reclassificado como pertencente a um parente distante do náutilo — um molusco com concha externa e vários tentáculos, ainda hoje existente.
Para chegar a esta conclusão, os investigadores utilizaram técnicas de imagem por sincrotrão, que permitem observar o interior da rocha em detalhe e reconstruir estruturas em três dimensões. Foi assim possível identificar uma rádula — uma espécie de “língua com dentes”, típica de muitos moluscos — cuja forma não corresponde à dos polvos, mas sim à dos náutilos.
Segundo os cientistas, o animal que deu origem ao fóssil terá estado em decomposição durante semanas antes de ser preservado. Esse processo alterou significativamente a sua aparência, levando a que, durante décadas, fosse interpretado como um polvo primitivo.
A nova análise resolve um enigma antigo na evolução destes cefalópodes. Durante anos, Pohlsepia mazonensis foi considerado uma peça-chave para sustentar a ideia de que os polvos teriam surgido muito mais cedo na história da Terra. Com esta reclassificação, os investigadores defendem agora que a origem dos polvos poderá ter ocorrido centenas de milhões de anos mais tarde do que se pensava.
Além de corrigir essa interpretação, o estudo revela também aquele que será o mais antigo registo conhecido de tecidos moles preservados em náutilos, oferecendo uma nova perspetiva sobre a evolução destes animais marinhos.









