Uma equipa internacional liderada por investigadores da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (Ciências ULisboa) identificou um dos raros exemplos conhecidos, a nível mundial, de evidências diretas de digestão preservadas em fósseis de dinossáurios não avianos. O estudo, publicado na revista Papers in Palaeontology, descreve marcas de corrosão provocadas por sucos gástricos numa maxila de um Allosaurus recém-nascido, proveniente da jazida da Guimarota, em Leiria.
A investigação foi liderada por Elisabete Malafaia, do Instituto Dom Luiz e da Ciências ULisboa, em colaboração com Bruno Maggia (Instituto Dom Luiz/Ciências ULisboa) e Oliver Rauhut (Bayerische Staatssammlung für Paläontologie und Geologie e Ludwig-Maximilians-Universität München).

O fóssil, com cerca de 155 milhões de anos, pertence a um indivíduo recém-nascido de Allosaurus, um dos principais predadores do Jurássico Superior. As análises revelaram um padrão invulgar de corrosão concentrado no ápice dos dentes, compatível com a ação de fluidos gástricos. Os investigadores concluem que o animal terá sido parcialmente digerido antes de ser regurgitado por um predador.
Trata-se do primeiro registo de um dinossáurio terópode parcialmente digerido do Jurássico Superior em Portugal e de um dos poucos casos conhecidos no mundo com marcas de digestão preservadas em dinossáurios não avianos. A descoberta constitui uma evidência direta das relações predador-presa em ecossistemas com cerca de 155 milhões de anos e abre novas perspetivas para o estudo da ecologia e do comportamento alimentar destes animais.

A jazida da Guimarota, recentemente distinguida como Geo-coleção pela International Union of Geological Sciences (IUGS), é reconhecida internacionalmente pela riqueza e diversidade dos fósseis do Jurássico Superior, preservando mamíferos primitivos, crocodilomorfos, pterossáurios e diversos grupos de dinossáurios.
Este trabalho resulta de uma colaboração entre o Instituto Dom Luiz / Ciências ULisboa, a Bayerische Staatssammlung für Paläontologie und Geologie, a Ludwig-Maximilians-Universität München, o HERCULES Laboratory (Universidade de Évora), o Instituto Superior Técnico, o Museu Geológico (LNEG) e o Museu Nacional de História Natural e da Ciência da Universidade de Lisboa.









