Fundação da Casa de Bragança e REN juntam-se para proteger abetardas e sisões em Elvas

A ação incide numa área de 100 hectares de pousios e pastagens que será melhorada, de forma a potenciar um habitat favorável para a reprodução destas espécies. Na Lista Vermelha das Aves de Portugal Continental de 2022, o sisão está classificado como “Criticamente em Perigo” e a abetarda como “Em Perigo”.

Redação

A Fundação da Casa de Bragança (FCB) e a REN – Redes Energéticas Nacionais juntaram esforços para a proteção de duas das aves estepárias mais ameaçadas de Portugal: o sisão (Tetrax tetrax) e a abetarda (Otis tarda).

De acordo com a informação avança pelas duas entidades, a ação incide numa área de 100 hectares de pousios e pastagens da FCB no concelho de Elvas, que irá ser melhorada, de forma a potenciar um habitat favorável para a reprodução destas espécies. Na Lista Vermelha das Aves de Portugal Continental de 2022, o sisão está classificado como “Criticamente em Perigo” e a abetarda como “Em Perigo”.

A ação surge como medida de compensação pelos potenciais impactos na avifauna da região no âmbito do desenvolvimento da Linha Estremoz – Alandroal.

Como se pode ler no Título Único Ambiental relativo ao projeto, emitido pela Agência Portuguesa do Ambiente, embora o desenvolvimento da linha não interfira diretamente com as áreas classificadas mais próximas (Zona de Proteção Especial de Vila Fernando e Zona Especial de Conservação Guadiana/Juromenha), há “impactes cumulativos perspetivados para a fase de exploração do projeto, sobretudo ao nível da avifauna, em concreto pela mortalidade por colisão, a fragmentação de habitat e o efeito de exclusão”.

No documento lê-se ainda que “apesar de se localizar fora da Rede Natura 2000, esta linha representa um elevado risco de mortalidade para aves prioritárias como o sisão (Tetrax tetrax) e a abetarda (Otis tarda), que realizam movimentos regulares” entre as áreas classificadas. Segundo a mesma fonte, “tendo em conta os impactes negativos significativos esperados com a implantação do projeto, considera-se indispensável a elaboração de um plano de compensação que incida especificamente sobre o grupo da avifauna (…) nomeadamente o sisão e a abetarda, e que possa compensar os prováveis impactes negativos neste grupo, em termos de mortalidade de indivíduos que se irá registar”.

Sisão (Tetrax tetrax). Foto: Pierre Dalous / Wikimedia Commons (licença CC BY-SA 3.0).

Assim, surge esta parceria, para tentar mitigar os impactos nessas duas espécies de aves estepárias em risco de extinção.

No que toca às medidas que serão tomadas no âmbito desta ação, a FCB e a REN explicam que centram-se sobretudo na gestão e melhoria das pastagens, “de forma a garantir, durante o período reprodutor, a manutenção de uma vegetação com altura adequada para estas espécies e o evitamento de perturbação”.

Para alcançar essa meta, foi instalada uma vedação, e criado um corta-fogo, em redor da parcela, de forma a impedir a presença de gado, entre 15 de março e 30 de junho, período em que são também impedidas outras atividades agrícolas.

Esta iniciativa conta com o acompanhamento científico do BIOPOLIS-CIBIO, que desenvolveu o plano de ação e que irá acompanhar a implementação e avaliação da eficácia das medidas tomadas. Em 2029 será feito o balanço do projeto e tomada de decisão sobre os passos seguintes, dizem as entidades.

“As Herdades da Fundação da Casa de Bragança são, há muitos anos, referência na conservação da avifauna”, afirma Hugo Carvalho, da FCB. “Através deste projeto iremos conseguir aliar a defesa da biodiversidade à preservação de património natural e agrícola do Alentejo”, acrescenta.

Por seu lado, Mónica Conceição, diretora de operações da REN, salienta que “há muitos anos que a REN assumiu um compromisso para a proteção, monitorização e restauro da biodiversidade, integrando estes critérios na sua estratégia central de gestão”.

Assegura a responsável que “a defesa da biodiversidade assim como o envolvimento das comunidades locais são pilares da estratégia de sustentabilidade da REN”.

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