Golfinhos-comuns em Portugal “em risco”, avisam investigadoras da Universidade de Aveiro

No âmbito da sua tese de mestrado, Alexandra André quis conhecer mais a fundo a população de golfinhos-comuns em Portugal, uma espécie classificada como “Quase Ameaçada” no Livro Vermelho dos Mamíferos de Portugal Continental, de 2023.

Redação

As águas marinhas ao largo da costa portuguesa são das mais ricas em espécies de mamíferos marinhos em toda a Europa. Por cá, o golfinho-comum (Delphinus delphis) é uma das que são avistadas com maior frequência, mas as ameaças de origem humana que enfrenta são significativas e a população está “em risco”.

No âmbito da sua tese de mestrado, Alexandra André quis conhecer mais a fundo a população de golfinhos-comuns em Portugal, uma espécie classificada como “Quase Ameaçada” no Livro Vermelho dos Mamíferos de Portugal Continental, de 2023.

Alexandra André. Foto: Universidade de Aveiro.

Em colaboração com as investigadoras Sofia Tavares, Andreia Torres Pereira, Silvia Monteiro e Catarina Eira, analisaram-se 240 golfinhos-comuns arrojados mortos entre Caminha e Peniche. A determinação da idade e do sexo permitiu perceber os grupos mais vulneráveis e os possíveis impactos no futuro da população em Portugal.

Os resultados mostram que os golfinhos analisados tinham idades compreendidas entre menos de um ano e 23 anos, sendo os indivíduos jovens e as fêmeas adultas os grupos mais frequentemente encontrados e também os mais vulneráveis.

Os golfinhos-comuns normalmente atingem a maturidade sexual por volta dos nove anos. A maioria dos indivíduos analisados pela equipa era jovem e morreu antes de alcançar a idade reprodutiva, o que poderá ter impactos significativos na renovação da população.

Alertam as investigadoras que a morte de um número elevado de golfinhos jovens, que ainda não se reproduziram, bem como de fêmeas adultas, pode comprometer seriamente a estabilidade da população a longo-prazo.

As investigadoras perceberam também que a captura acidental em artes de pesca foi a principal causa de morte de golfinhos-comuns na área de estudo, o que, salientam, reforça “a urgência de continuar a monitorizar a população, bem como de implementar medidas de conservação mais eficazes, capazes de reduzir a mortalidade e assegurar a proteção futura da espécie”.

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