O Governo anunciou a criação de um grupo de acompanhamento para a futura estação de dessalinização do Algarve, uma infraestrutura considerada estratégica para reforçar a segurança hídrica da região. A decisão foi tomada pelo Ministério do Ambiente e Energia e visa garantir maior transparência, participação e escrutínio ao longo da execução da obra.
O novo grupo será coordenado pela Agência Portuguesa do Ambiente e integrará municípios, representantes de pescadores, organizações ambientais, o Turismo do Algarve e a Universidade do Algarve, entre outras entidades. O objetivo é assegurar uma abordagem participada e próxima das comunidades locais.
A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, sublinha, citada em comunicado, que “queremos uma obra acompanhada de perto pelas comunidades e pelas entidades que conhecem o território”, defendendo que este modelo reforça a confiança e a qualidade na execução do projeto.
Uso reservado a situações de escassez
Paralelamente, o Governo definiu regras para a utilização da infraestrutura, determinando que a exploração em plena capacidade deverá ocorrer apenas em cenários de escassez hídrica, funcionando como último recurso para abastecimento público.
Segundo a tutela, esta abordagem pretende garantir um uso equilibrado da dessalinização, enquadrando-a numa estratégia mais ampla de diversificação das origens de água e de redução da pressão sobre aquíferos e albufeiras.
“Esta é uma infraestrutura essencial para o futuro do Algarve, mas a sua utilização será sempre responsável e equilibrada”, afirma a ministra, acrescentando que a água dessalinizada deve ser entendida como um “seguro estratégico” e não como substituto da gestão eficiente dos recursos existentes.
Resposta às alterações climáticas
A estação de dessalinização surge como resposta ao aumento da escassez de água no Algarve, agravado pelas alterações climáticas e pela crescente variabilidade dos recursos hídricos.
Com este enquadramento, o Executivo pretende garantir que o arranque da infraestrutura decorre com regras claras e com o envolvimento dos principais atores do território, reforçando a resiliência da região face a períodos de seca.









