Governo dos Açores lança concurso para cartografia topográfica vetorial de elevado detalhe

O Programa Regional para as Alterações Climáticas define que estes instrumentos “devem desenvolver cartografia de pormenor à escala de 1:2.000 ou superior, sempre que visem determinar o afastamento de edificações, equipamentos ou infraestruturas de zonas de risco significativo”.

Green Savers com Lusa

Os Açores vão lançar este ano um concurso para aquisição de serviços de cartografia topográfica vetorial de elevado detalhe, num investimento de 2,2 milhões de euros, revelou  o secretário regional do Ambiente e Ação Climática.

“Com este procedimento para a aquisição de serviços de cartografia topográfica vetorial, que será lançado ainda em 2026, representando um investimento de 2,2 milhões de euros, a região passa a dispor de informação de elevado detalhe de toda a sua superfície, nomeadamente modelos digitais do terreno e de superfície de elevada resolução, algo inédito até então, assegurando uma evolução muito significativa, com reflexos relevantes ao nível do conhecimento, planeamento e gestão do território”, afirmou o titular da pasta do Ambiente nos Açores, Alonso Miguel, citado numa nota de imprensa.

O governante falava a propósito de um curso de formação em Produção e Análise de Superfícies LiDAR (Light Detection and Ranging), realizado na ilha de São Miguel, para capacitar os profissionais da administração pública regional no tratamento e análise de dados LiDAR e de fotogrametria.

Alonso Miguel lembrou que “o Governo Regional [PSD/CDS/PPM] promoveu a realização, em 2024, de um levantamento aerofotogramétrico, com varrimento LiDAR, que será tornado público brevemente”.

Por outro lado, disse que o executivo está a ultimar um procedimento concursal para a produção de cartografia topográfica vetorial, “à escala de 1:2.000 para as áreas edificadas e de 1:10.000 para as áreas não edificadas”, para dotar a região de uma “base cartográfica comum e normalizada”.

Segundo o titular da pasta do Ambiente, a cartografia de pormenor é “fundamental no âmbito dos processos de planeamento territorial, nomeadamente, para a alteração de Instrumentos de Gestão Territorial, com especial enfoque na alteração e revisão dos Planos Especiais de Ordenamento do Território e dos Planos Municipais de Ordenamento do Território (PDM)”.

O Programa Regional para as Alterações Climáticas define que estes instrumentos “devem desenvolver cartografia de pormenor à escala de 1:2.000 ou superior, sempre que visem determinar o afastamento de edificações, equipamentos ou infraestruturas de zonas de risco significativo”.

Alonso Miguel salientou que a nova cartografia vai permitir atualizar, de forma detalhada, as faixas das áreas edificadas dos Açores “expostas aos riscos costeiros durante a ocorrência de eventos extremos” e a “criação de cenários no âmbito das alterações climáticas, contribuindo para a definição de medidas de mitigação e de adaptação”.

De 27 de março a 02 de abril, participaram na formação em Produção e Análise de Superfícies LiDAR , promovida no âmbito do projeto Life IP Climaz, 35 funcionários públicos, das áreas da proteção civil, do ambiente e ação climática, do ordenamento do território, dos serviços florestais e das políticas marítimas e do Laboratório Regional de Engenharia Civil.

“De nada serviria capacitar a região com equipamentos tecnológicos de ponta, se não fosse ministrada a correspondente formação, que permita aos técnicos da administração pública tirar o máximo partido da utilização eficiente destas ferramentas”, apontou o secretário regional.

O governante sublinhou que, “desde 2022, já foram investidos cerca de 1,5 milhões de euros para capacitação da região com equipamentos tecnológicos, fundamentais para o desenvolvimento e atualização de cartografia nas nove ilhas”.

Só em 2023, o executivo adquiriu “quatro estações totais, quatro recetores GNSS, nove drones multirotores, uma estação permanente GNSS, três quadrirotores para levantamento LiDAR, três ‘workstations’, três restituidores fotogramétricos, um laser scanner e nove recetores GNSS para a rede de estações permanentes”, num investimento superior a 800 mil euros, financiado a 100% no âmbito do programa REACT-EU.

“Com o salto tecnológico que a região deu será possível atualizar conteúdos cartográficos com maior frequência, sendo esta informação também pertinente para a investigação e ciência e para o tecido empresarial dos Açores”, reforçou Alonso Miguel.

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