Governo Trump paga a mais duas empresas para que desistam da exploração eólica offshore

A Bluepoint Wind e a Golden State Wind concordaram em terminar os seus contratos de exploração eólica offshore em troca de reembolsos que totalizam quase 900 milhões de dólares (767 milhões de euros, à taxa de câmbio atual).

Green Savers com Lusa

O Governo norte-americano liderado por Donald Trump anunciou hoje mais dois pagamentos a empresas de energia para desistirem dos projetos de exploração eólica offshore em desenvolvimento nos EUA.

A Bluepoint Wind e a Golden State Wind concordaram em terminar os seus contratos de exploração eólica offshore em troca de reembolsos que totalizam quase 900 milhões de dólares (767 milhões de euros, à taxa de câmbio atual).

Tanto a Bluepoint como a Golden State são copropriedade da Ocean Winds, uma ‘joint-venture’ da EDP Renováveis e da gigante global de energia Engie.

Ambas as empresas decidiram não avançar com novos projetos de exploração eólica offshore nos Estados Unidos, anunciou o Departamento do Interior.

A Bluepoint Wind é um projeto de exploração eólica offshore em fase inicial de desenvolvimento na costa de Nova Jersey e Nova Iorque, enquanto a Golden State Wind é um projeto de energia eólica offshore flutuante proposto para a costa central da Califórnia.

O Departamento do Interior referiu que está a seguir o modelo do recente acordo com a empresa francesa de energia TotalEnergies, que receberá um pagamento de mil milhões de dólares (850 milhões de euros) para desistir de projetos na costa da Carolina do Norte e de Nova Iorque.

A TotalEnergies acordou em março o que é essencialmente um reembolso dos seus contratos de exploração e vai investir o dinheiro em projetos de combustíveis fósseis.

Os acordos surgem após as tentativas do Governo de bloquear a energia eólica offshore terem sido frustradas pelos tribunais.

Uma juíza federal anulou a ordem executiva de Trump que bloqueava projetos de energia eólica em dezembro, declarando-a ilegal e concordando com os procuradores-gerais de 17 estados e de Washington, D.C., que contestaram a ordem.

Duas semanas depois, o Governo ordenou a paragem da construção de cinco grandes projetos de energia eólica offshore na Costa Leste, alegando preocupações com a segurança nacional.

Os promotores e os estados intentaram ações judiciais, e os juízes federais permitiram que os cinco projetos retomassem a construção, concluindo, essencialmente, que o Governo não demonstrou que o risco para a segurança nacional era tão iminente que justificasse a paragem das obras.

Grupos ambientalistas e democratas questionaram a legalidade do acordo com a TotalEnergies e afirmaram que poderia ser prejudicial para a economia e para o ambiente dos EUA.

Previa-se que a Bluepoint Wind e a Golden State Wind fossem grandes projetos de energia eólica offshore, cada um com capacidade para abastecer mais de 1 milhão de casas quando concluído, ajudando os estados de Nova Jersey, Nova Iorque e Califórnia a atingir os seus objetivos de energia limpa.

As empresas afirmaram que apreciaram o diálogo construtivo com o Governo.

Michael Brown, CEO da Ocean Winds North America, destacou que o acordo trouxe clareza à empresa e aos seus investidores.

“A nossa prioridade continua a ser a alocação disciplinada de capital e o fornecimento de soluções energéticas fiáveis que criem valor a longo prazo para os consumidores, parceiros e acionistas”, apontou.

No seu segundo mandato, Trump apostou tudo nos combustíveis fósseis, que, segundo o republicano, reduzirão os custos para as famílias, aumentarão a fiabilidade e ajudarão os EUA a manter a liderança global na inteligência artificial.

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