Entre agosto de 2025 e junho deste ano, a Grande Barreira de Coral mostrou sinais de recuperação face aos impactos do evento de branqueamento massivo de 2024, mas a ameaça de aquecimento ainda persiste.
No relatório anual sobre o maior recife coralino no mundo, que se estende por mais de dois mil quilómetros pela costa nordeste da Austrália, os cientistas governamentais do Instituto Australiano de Ciência Marinha revelam que a cobertura de coral em todas as três regiões da Grande Barreira aumentou ligeiramente ou manteve-se em níveis semelhantes aos registados no verão de 2024-2025.
A cobertura coralina aumentou 16,7% na região norte e 10,2% na região central. Só na região sul registou-se uma ligeira redução de 2%. Os investigadores dizem que nas três regiões a cobertura de coral continua acima ou ligeiramente abaixo da média de longo-prazo.
A pausa no declínio registado na Grande Barreira de Coral, fortemente agravado pelo evento de mortalidade massiva do verão de 2024, em muito se deveu a chuva intensas associadas à época das monções de verão naquela região do mundo.
“O Recife voltou a sofrer um verão com temperaturas marinhas acima da média, mas a monção do final do verão, que aumento a cobertura de nuvens e reduziu as temperaturas do mar, provavelmente limitou a severidade e a extensão do branqueamento no verão 2025/26”, explica Mike Emslie, diretor do Programa de Monitorização de Longo-prazo da agência australiana.
Do total de 121 recifes de coral monitorizados para o relatório deste ano, 12 tinham uma cobertura entre os 50% e 75%, 42 entre 30% e 50%, e 64 entre 10% e 30%. Só três recifes tinham uma cobertura abaixo dos 10% da cobertura histórica e nenhum apresentava cobertura acima dos 75%.
Assim, entre agosto de 2025 e junho de 2026, 16% dos recifes da Grande Barreira de Coral sofreram um declínio, 56% não apresentaram mudanças significativas e 28% chegaram mesmo a aumentar a cobertura de coral.
O branqueamento continuou a estar presente no verão de 2025-2026 na Austrália, o que terá impedido uma recuperação mais significativa.
“Embora muitos recifes não tenham perdido cobertura de coral, o branqueamento provavelmente impediu os aumentos contínuos da cobertura de coral que normalmente seriam esperados na ausência de perturbações”, salienta Emslie.
Apesar de os resultados deste ano sugerirem as primeiras fases de uma recuperação e que os níveis de cobertura coralina são mais elevados do que em muitos outros ecossistemas semelhantes pelo mundo fora, a Grande Barreira de Coral continua a estar sob pressão.
“Embora os sinais de recuperação sejam encorajadores, os riscos para os recifes de coral estão a aumentar. Podemos ajudá-los a sobreviver às ameaças decorrentes das alterações climáticas através da redução das emissões globais, de uma boa gestão dos recifes e do desenvolvimento de intervenções científicas baseadas em dados concretos que apoiem a adaptação e a recuperação dos recifes”, sentencia Selina Stead, diretora-executiva do Instituto Australiano de Ciência Marinha.









